A correria do dia a dia e a falta de educação no trânsito têm feito cada vez mais vítimas. A violência é ainda maior no lado mais fraco do tráfego. O aumento da frota de motocicletas está sendo seguido pelo crescimento proporcional de acidentes, como mostrou esta semana reportagem desta FOLHA.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostrou que em dez anos houve redução no número de mortos de pedestres (de 12,5 mil em 1997 para 9,6 mil em 2007) e crescimento de óbitos de motociclistas (de 973 para 8,1 mil).
Segundo levantamento da Organização Mundial da Saúde, 20% das mortes no trânsito brasileiro envolvem condutores ou passageiros de motos, isso é o dobro do registrado entre os que utilizavam carros. Esse percentual é oito pontos maior do que a média mundial - que gira em torno dos 12%.
No Paraná, a reportagem trouxe números que demonstram a necessidade de políticas públicas mais eficientes de prevenção. Ocorreram 23.873 acidentes envolvendo motos, com 20.238 vítimas não fatais e 331 mortes. Ano passado, foram 25.456 ocorrências que resultaram em 21.724 feridos e 401 vítimas fatais.
E quando não causa a morte, os acidentes deixam marcas para o resto da vida. Levantamento do Instituto de Ortopedia e Traumatologia, ligado à Universidade de São Paulo (USP), mostra que um em cada três acidentados de motos terá sequelas permanentes. Médicos já tratam o assunto como epidemia, atitude que deveria ser seguida pelas autoridades.
Algumas medidas são apontadas como saída para a redução desses índices, entre elas a restrição da circulação das motos em vias rápidas, além da modificação do Código de Trânsito Brasileiro para impedir o deslocamento entre os carros - o famoso corredor.
Só que antes de fazer qualquer tipo de mudança na legislação, a adoção de medidas simples, como o aumento da fiscalização, poderia ajudar a prevenir mortes de motociclistas. É preciso agir mais energicamente para evitar novas tragédias no trânsito.

mockup