O ataque cibernético sofrido pelo governo brasileiro esta semana é uma demonstração de como os riscos mudaram nos últimos anos, quando o planeta se tornou cada vez mais conectado e dependente da informação. Se há 30 anos o mundo vivia uma ''guerra fria'', com dois grandes blocos bem definidos - os países ligados à União Soviética e aqueles alinhados com os EUA -, hoje a verdadeira ameaça vem dos chamados hackers.
Os sites da Presidência da República, do Senado e do Ministério do Esporte foram os alvos na quarta-feira. A Receita Federal e a Petrobras sofreram ataques na terça-feira. E em um ataque histórico: foi o maior já registrado pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), entidade responsável pelo processamento de dados dos principais órgãos públicos. Durante duas horas e 30 minutos, foram registrados 2 bilhões de acesso, sendo 300 mil simultâneos.
A ação foi reivindicada pelo grupo Lulz Security Brazil, com inspiração na versão internacional Lulz Security, que defende ''uma ideia de um mundo livre, sem opressão e pobreza e que não é comandada pela voz tirânica de um pequeno grupo de pessoas no poder''. Em mensagem na internet, afirma que a ação foi um protesto contra a corrupção e promete repetir a dose - como ocorreu na madrugada de ontem com o site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A matriz do Lulz Security já fez ofensivas à CIA (agência de inteligência americana), ao Senado norte-americano, às grandes empresas Sony e Nintendo e redes de TV e à polícia britânica. O governo dos EUA pretende lançar ainda este mês uma estratégia de defesa, com a possibilidade inclusive do uso da força. O Japão, por outro lado, aprovou neste mês legislação que criminaliza a criação e distribuição de vírus de computadores.
O Brasil tem papel de destaque nesta área, o que não é motivo para comemorar. Segundo uma multinacional de tecnologia, o País é o segundo que mais recebe ataques virtuais e o quarto que mais promove ataques pela rede. Por aqui, só um terço das empresas possui programas voltados para a gestão de risco.
O ataque sofrido pelo governo deve servir de alerta para empresários e poder público. Está na hora de encarar a questão de forma mais aberta e séria, ou novas ações dos criminosos virtuais serão apenas questão de tempo.

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