O grave acidente ocorrido no último sábado na rodovia BR-277, próximo a Guarapuava (Sudoeste), expôs mais uma vez a falta de infraestrutura e de investimentos nas estradas paranaenses. Um micro-ônibus se chocou de frente com uma carreta após desviar de uma roda que teria se soltado de um outro caminhão. A colisão resultou na morte de 11 pessoas e mais 14 feridos. Se a rodovia fosse duplicada, certamente o acidente não teria tido proporções tão trágicas.
Importantes estradas paranaenses sob a responsabilidade de concessionárias de pedágio não são duplicadas. O caso nos remete ao imbróglio da concessão das rodovias federais do Estado na gestão do ex-governador Jaime Lerner e às batalhas travadas pelo seu sucessor, Roberto Requião, na tentativa de reduzir as tarifas do pedágio. O fato é que nem as tarifas caíram e tampouco houve duplicação de rodovias movimentadas.
É o caso da BR-277, uma das mais importantes do Paraná, ligando a Ponte da Amizade, em Foz do Iguaçu (Oeste), ao Porto de Paranaguá (Leste), numa extensão de 730 quilômetros. Ela atrai levas de turistas para as compras no Paraguai e aos passeios nas Cataratas. No sentido inverso, é um importante corredor de escoamento da safra agrícola paranaense e paraguaia. Portanto, mereceria mais atenção e a urgente duplicação de todo o seu trecho.
Esse descaso com a infraestrutura no Estado não é exclusivo dessa região. No Norte do Estado, outras duas rodovias esperam pela duplicação e melhorias. É o caso da PR-445, que liga Londrina a Mauá até a BR-376 (Rodovia do Café) no sentido Curitiba. O trecho mais problemático é o que corta Londrina e Cambé. Nessa densa área urbana ocorrem incontáveis acidentes e, por consequência, mortos e feridos. Caminho dos norte-paranaenses até o Litoral e à capital, a 376 também oferece risco aos motoristas por suas incontáveis curvas em pista simples.
É inconcebível que em pleno século 21 Londrina e Curitiba, as duas maiores cidades do Estado, ainda não sejam interligadas por uma rodovia duplicada. É preciso urgentemente repensar a infraestrutura das rodovias estaduais. A sociedade deve cobrar do governo do Estado e das concessionárias a execução dessa e outras obras o mais urgente possível. O custo é alto, porém a contínua perda de vidas jamais será reparada.

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