O perigo em nosso próprio quintal
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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020
Folha de Londrina 
Os olhos estão voltados para Anápolis, em Goiás, onde os 34 brasileiros que vieram da província chinesa de Wuhan, epicentro da epidemia de coronavírus, cumprem quarentena.
O novo coronavírus assusta principalmente pela rapidez de sua transmissão. Especialistas lembram que enquanto o vírus da Sars (Síndrome Respiratória Aguda Grave), que causou um surto de pneumonia entre 2002 e 2003, demorou três meses para infectar pessoas fora da China, o novo coronavírus já conseguiu o feito de chegar a outros continentes em apenas um mês.
Há o temor pelo nono vírus que pode ter a presença confirmada mais cedo ou mais tarde no Brasil. Mas no momento temos um outro perigo que se mostra incontrolável em nosso próprio quintal. É a dengue, doença que voltou ao topo das páginas de jornais porque a cada semana alcança números altíssimos.
Nos últimos sete dias, o Paraná registrou mais de cinco mil novos casos de dengue, resultando em um crescimento de quase 40%. Segundo o último boletim da Sesa (Secretaria de Estado da Saúde), o Estado está com 20.563 casos confirmados. Na semana passada eram 14.697.
O último boletim traz números preocupantes. Mais 12 municípios do Paraná entraram em epidemia de dengue, totalizando 62. Treze pessoas morreram vítimas da doença. Dos 399 municípios paranaenses, 319 têm notificação. Cento e oitenta e quatro estão com casos autóctones, em que a doença foi adquirida na própria localidade.
Neste mesmo período do ano em 2019, por exemplo, eram apenas 329 confirmações, com uma semana a menos no cálculo no levantamento da secretaria. São 64.825 notificações desde agosto do ano passado.
O atual período epidemiológico tem reais chances de repetir o cenário de 2015 e 2016, quando o Paraná teve a pior epidemia de dengue dos últimos 20 anos. O verão quente e chuvoso desse início de 2020 é propício para a reprodução do Aedes aegypti.
As estatísticas da Sesa denunciam a irresponsabilidade dos cidadãos no panorama que se apresenta: de 70% a 80% dos focos estão nos imóveis e até no interior das casas.
Nesta quarta-feira será finalizada uma capacitação sobre o uso de um novo inseticida de combate ao Aedes, que deverá ser enviado pelo Ministério da Saúde em março. O inseticida é um bloqueio importante contra o mosquito na fase adulta. Mas acabar com os criadouros é extremamente importante e essa etapa depende principalmente da conscientização da sociedade.
Por que é tão difícil para o brasileiro entender o papel fundamental que ele desempenha no processo de acabar com o Aedes? É nítido que o poder público está errando na comunicação, que não está atingindo a todos os públicos e não está sendo eficiente em conscientizar. Por outro lado, é preciso ficar claro que por mais que as autoridades façam a parte delas, a população também precisa se empenhar e tornar a sua casa livre de qualquer sinal que represente um convite ao Aedes.
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