O perigo dos explosivos
A imprudência e a falta de preparo no manuseio de explosivos deixou um assaltante gravemente ferido na última terça-feira, em Bom Sucesso (Região Metropolitana de Maringá). Ele e mais quatro comparsas pretendiam explodir o caixa eletrônico de uma agência bancária do município de pouco mais de seis mil habitantes, quando ocorreu o incidente. O homem de 27 anos teve parte da perna e do braço mutilada e foi abandonado pelos companheiros.
Essa modalidade de roubo, que vem crescendo nos últimos anos, ocorre principalmente em cidades menores onde o contingente policial é mínimo ou praticamente inexistente.
Levantamento do Sindicato dos Vigilantes de Curitiba e Região Metropolitana, em agosto, apontou que neste ano houve mais de 230 arrombamentos a unidades bancárias no Paraná, o que perfazia uma média superior a um crime por dia. A maioria desses ataques cerca de 200 - se deu no interior paranaense, sendo metade deles em pequenos municípios do Norte e Noroeste. O problema está tirando o sossego e a tranquilidade dos moradores desses logradouros, principalmente quem mora ao lado das agências bancárias. O temor é que, como no caso de Bom Sucesso, o uso excessivo do explosivo atinja imóveis vizinhos e cause uma tragédia de grandes proporções vitimando inocentes.
E, em que pese a criação de uma força-tarefa para combater os criminosos, os ataques aos bancos das pequenas cidades continuam. O curioso é a utilização de explosivos de uso exclusivo do Exército ou de pedreiras pelos bandidos. O fato mostra que falta um controle mais rígido não só na venda desses explosivos, como também uma investigação minuciosa sobre de onde vem e como são obtidos os artefatos.
Como já abordado em reportagem da FOLHA, especialistas apontam que uma das razões para o crescimento dos ataques é o Código Penal, que tipifica o crime como furto qualificado, similar a um furto de veículo, cuja pena máxima é de 8 anos de prisão. Se isso estimula mesmo os criminosos, pode-se inferir que nossos legisladores (deputados federais e senadores) parecem estar apartados da realidade. Com tantos casos se sucedendo no Paraná e no País, não estaria na hora de alterar a lei para reprimir os bandidos?





