O perigo dos dois extremos
Nos dias atuais a sociedade entende que o maniqueísmo representa a luta entre o bem e o mal, ou seja, entre Deus e o Diabo, e que pode conduzir o indivíduo para o céu ou para o inferno. Sobre o inferno, é bom lembrar os ensinamentos deixados pelo papa João Paulo II, ao afirmar que: "O inferno é a consequência que o pecado causa em nossa consciência". O que seria pecado na atualidade senão o mal que fazemos aos nossos semelhantes.
Existem notícias de que Abraão, o personagem bíblico e patriarca do Antigo Testamento, teria sido o primeiro a desenvolver a Cabala, verdadeiro conceito de fé em que se resumia o "dar e o receber", e que a partir do Cristianismo devemos entender como representativo do amor e egoísmo.
O bem é descrito universalmente como aquilo que constrói, que harmoniza e que provê as necessidades de seus praticantes. Sem dúvida que o bem pode estar sendo representado pelo amor, cuja regra de ouro resume aquilo que deve ser o nosso comportamento diário: "Faças aos outros aquilo que gostaria que fizessem contigo".
Por outra banda, o mal é relacionado ao desprezo total para com seus semelhantes que, inicialmente, pode conduzi-lo a um sucesso passageiro devido à sua ganância, à ostentação e à soberba. O resultado da desarmonia certamente conduz o indivíduo à tristeza pela frustração, que tanto pode ser pelo abandono de seus amigos e "amigos", e, finalmente, ao fracasso e, por último, às doenças. O mal, portanto, é o oposto de tudo que o bem representa, daí que devemos prestar muita atenção a célebre frase: "Não existe escuridão maior do que quando a 'luz' se apaga".
Por que não entender o maniqueísmo como bipolaridade representada pelo amor e o egoísmo?
Algumas décadas atrás crianças e adultos adoravam os gibis Tarzan, Zorro, Fantasma, Capitão Marvel, etc. cujas histórias revelavam apenas a conduta do bandido e do mocinho, ou seja, para muitos a luta constante entre o bem e o mal, mas que na verdade as histórias sempre retrataram a conduta do mocinho (amor) e do bandido (egoísmo).
Não é preciso ser nenhum sábio para constatar que nossas ações ao longo do tempo conduzem a resultados que podem conduzir ao "céu" ou ao "inferno". Falar sobre o "inferno" se torna muito fácil porque existem bilhões de seres humanos vivendo situações que somente o "inferno" referido pelo papa João Paulo II consegue explicar.
Viver no "céu", por sua vez, estaria o ser humano que se preocupa em manter distância dos alimentos nocivos à sua saúde; livre do egoísmo que conduz a prática dos "pecados" contra seus semelhantes e, por último, a constante prática do amor que, como já afirmado, é não fazer ao próximo aquilo que não deseja para si, cujo resultado a Bíblia resume em "existe mais prazer em dar do que em receber", que nada mais é do que a verdadeira filosofia da Cabala.
O maniqueísmo não deve ser execrado como se tudo não passasse de um arquétipo da crença religiosa em que nosso destino recebe influências animistas capazes de dirigir nossos destinos, fazendo com que o ser humano deixe de acreditar que o destino é a gente que faz na mente de quem é capaz (Raul Seixas). Vamos praticar o amor e a verdadeira Cabala: distinguir entre o "dar" e o "receber", entre o amor e o egoísmo.
ANTONIO CARLOS CANTONI é advogado em Londrina
■ Os artigos devem conter dados do autor e ter no máximo 3.800 caracteres e no mínimo 1.500 caracteres. Os artigos publicados não refletem necessariamente a opinião do jornal. E-mail: opiniao@folhadelondrina.com.br





