O perigo de recorrer aos bancos
Quando o dinheiro escasseia, a pior opção para pagar as contas é recorrer a empréstimo bancário, porque o altíssimo juro é capaz de arruinar uma pessoa ou empresa. E o cheque especial, utilizado além da disponibilidade própria (e não a disponibilidade do limite), é a mais onerosa forma de empréstimo, porque o encargo é de 160% ao ano. Se não há, a curto prazo, perspectiva de o juro bancário baixar, o caminho é fugir dos bancos, sobretudo pelo abandono do cheque especial e do cartão de crédito, este ainda mais tentador porque a maioria das lojas e serviços o aceita, e o gasto é invisível, só aparecendo quando chega a fatura. Atraso no pagamento significará juro de 200%/ano, e se a conta do cartão é lançada automaticamente na conta-corrente do cheque especial, também aí começa a contagem de juro. O endividamente do brasileiro é elevado, por conta de suas necessidades mas também pelo descontrole nos gastos, e a recorrência ao cheque especial resultará no aumento progressivo da dívida. O resultado final poderá ser a inadimplência, e aí será preciso vender imóveis, veículos e outros bens quando eles existem para cobrir o rombo. Talão de cheque e cartão de crédito, se facilitam a disponibilização de dinheiro, são formas de vício, porque se houver um planejamento sério, será possível aniquilar o débito e não mais permitir que retorne, o que será facilitado pelo abandono daqueles dois instrumentos propiciador de gastos às vezes supérfluos. Muitas pessoas o fizeram, e não se arrependem. Levar dinheiro no bolso é uma prática do passado que resultava em mais controle dos esbanjamentos. Quanto ao risco de roubo do dinheiro vivo, o do cheque e do cartão é idêntico, por causa da falsificação de assinatura (que os bancos não conferem) e da ausência de senha do cartão para a compra à vista esta uma indesculpável anomalia do sistema. Ontem leu-se que os bancos passaram a adotar a biometria, pela qual as máquinas eletrônicas fazem a leitura das mãos do cliente, ou seja, o mapeamento das veias. Já funciona no Japão e começa a funcionar no Brasil. Mais um mecanismo de segurança, mas ainda não é uma defesa contra os juros altos, e se o correntista é poupado da ação de fraudadores (até que eles não inventem um antídoto até para a biometria), não é poupado do juro extorsivo do sistema bancário e financeiro no geral. Quando for inventado o juro civilizado, compatível com a realidade e sem o assalto praticado pelos bancos, aí se poderá afirmar que o mais importante item de segurança da clientela está coberto. Um banco brasileiro já anuncia que irá gastar R$ 1,5 bilhão em tecnologia de segurança, e é bom ir sabendo que quem pagará esse investimento será o cliente, pela forma daquelas gotículas constantes de valores que vão caindo em sua conta-corrente, sob as mais diversas denominações.





