O perigo da inflação
A divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 0,86% em janeiro, na semana passada pelo IBGE, faz o governo federal acender a luz de alerta para o controle da inflação. Há cinco anos não se registrava um índice tão alto. Em 2012, por exemplo, a taxa ficou em 0,56% para o primeiro mês do ano. Em 2005, foi registrado 0,87% para o mês de abril. E a atual taxa, que preocupa o setor econômico do País, só perde para a forte alta de 2,25% de janeiro de 2003.
Os analistas apontam para um fato preocupante: o crescimento da economia brasileira estaria baseada somente em consumo e não em investimento. A consequência, na visão de economistas, é que a subida da inflação afeta o humor do empresariado brasileiro que, menos otimista, seguraria seus investimentos em ampliação de negócios, o que se refletiria diretamente na geração de novos postos de trabalho.
Mais uma vez, entendem os analistas econômicos, o governo deveria lançar mão de um remédio amargo para conter a onda inflacionária: subir a taxa de juros, hoje na casa dos 7,25%. Isto porque todas as fichas apostadas pelo Palácio do Planalto para evitar o aumento de preços como a redução da conta de energia e a valorização do real frente ao dólar - ainda não surtiram o efeito desejado. De outro lado, o aumento do preço da gasolina deve impactar na inflação de fevereiro e afetar toda a cadeia produtiva. A alta da cesta básica de 1,99% foi um dos itens que contribuíram para o crescimento da inflação em janeiro. Outra medida sugerida é o ajuste do crédito que, desde o ano passado, está mais facilitado ao consumidor.
O que preocupa, porém, o setor produtivo é a projeção de que o governo insistirá com a política de tentar segurar a inflação usando a taxa de câmbio. A medida prejudica as exportações da indústria nacional e do agronegócio que perderão lucratividade e, pior, enfrentarão a concorrência de produtos importados principalmente os baratos artigos chineses que invadiram o País nos últimos anos. A equipe econômica terá um árdua lição de casa nos próximos meses para segurar os índices inflacionários.





