O perigo da compra de medicamentos irregulares
A população precisa ficar atenta ao alto risco de consumir um remédio sem prescrição médica e sem registro de venda no Brasil
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sexta-feira, 13 de março de 2026
A população precisa ficar atenta ao alto risco de consumir um remédio sem prescrição médica e sem registro de venda no Brasil
Folha de Londrina 
A popularização das chamadas "canetas emagrecedoras" transformou medicamentos originalmente desenvolvidos para tratar doenças metabólicas em objetos de desejo de quem busca perder peso rapidamente. O problema é que, junto com a demanda crescente, surgiu também um mercado paralelo perigoso, que vende esses produtos e outros que prometem emagrecimento sem controle sanitário, sem prescrição médica e, muitas vezes, sem qualquer garantia sobre o que realmente está dentro das embalagens.
Entre as substâncias mais conhecidas estão medicamentos como Ozempic e Wegovy, originalmente indicados para tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade sob acompanhamento médico. O sucesso desses fármacos, amplamente comentado nas redes sociais e em relatos de celebridades, acabou estimulando um consumo fora do ambiente clínico — e abriu espaço para a atuação de vendedores informais que oferecem versões supostamente idênticas a preços menores.
Nesta quinta-feira (12), em Londrina, o Ministério Público do Paraná, por meio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), deflagrou a segunda fase da Operação Off Label, que apura crimes relacionados ao comércio ilegal de remédios para emagrecimento.
Entre os investigados estão dois policiais civis: um afastado das funções e outro aposentado. A ação contou com o apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência do MP do Rio de Janeiro, da Polícia Civil de Londrina e da Corregedoria-Geral da Polícia Civil.
Também foram cumpridos mandados de prisão contra outro policial, aposentado (em Cascavel), e um suspeito de Foz do Iguaçu. Além disso, houve cumprimento de ordens de busca e apreensão em sete endereços residenciais de Londrina, Foz do Iguaçu, Cascavel e Rio de Janeiro.
O inquérito policial foi instaurado no início do ano, após a localização no interior de um ônibus intermunicipal, em 27 de janeiro, de um pacote contendo aproximadamente 100 ampolas do remédio Tirzepatida, lote avaliado em R$ 70 mil, de procedência ignorada. O uso do medicamento é proibido no Brasil por resoluções da Anvisa.
Naquela época, um policial foi preso por coagir funcionários da empresa de transporte em uma falsa diligência e subtrair o material ilícito que havia sido retido pela empresa.
A população precisa ficar atenta para o alto risco de consumir um medicamento sem prescrição médica e sem registro de venda no Brasil.
Medicamentos vendidos fora de farmácias autorizadas podem ser falsificados, adulterados ou armazenados de forma inadequada, comprometendo sua eficácia e segurança.
Outro problema é a banalização do uso. Medicamentos como as canetas emagrecedoras não são cosméticos nem soluções mágicas para emagrecimento. Transformá-las em produtos de consumo informal ignora a complexidade do tratamento da obesidade e reduz a saúde a uma promessa rápida de resultados estéticos.
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