Os matadouros municipais de bovinos estão com os dias contados se depender do Ministério da Agricultura e Pecuária, e essa medida de extermínio precisa ser adotada em face do risco à saúde pública que carnes desses abatedouros oferecem. Porque metade deles, nos pequenos municípios, opera sem fiscalização. Em sua vinda a Londrina para o 3º Rural Tecnoshow, o ministro Reinhold Stephanes reafirmou esse propósito defendendo apenas o abate em escala e seguindo o padrão exigido para as carnes exportadas.
  Carne não inspecionada e sem armazenamento adequado pode estar contaminada por zoonoses e oferecer ao consumidor o risco de contrair tuberculose e brucelose ou sofrer intoxicações. Os três organismos aos quais incumbe a inspeção atuam nas esferas municipal, estadual e federal, mas não operam em conjunto, e mesmo que as carnes ostentem selos de qualidade, isto não é garantia de qualidade, porque há muito abate clandestino e não se conhece a origem dos animais. Alguns podem estar doentes, ter membros fraturados ou serem velhos demais.
  Parece evidente que a fiscalização não consegue se impor diante da situação, que gera não apenas perigo à saúde mas também evasão de impostos. Não se descarta que os matadouros municipais têm função social por atender à população das pequenas localidades. Eles também compram dos que têm poucas reses para vender, evitando que acabem nas mãos dos mais fortes, que lhes pagam ‘‘preço de banana’’, conforme denuncia um prefeito do Norte Pioneiro. Os municípios têm competência para combater as práticas ilegais, mas não há garantia de que o farão com eficiência e com plena isenção, porque é evidente que há muita possibilidade de favorecimentos. Por isso, diante das denúncias de insuficiente inspeção e de graves riscos à saúde humana, esses matadouros precisam mesmo ficar na mira de fiscalização mais abrangente, como ocorre com os grandes frigoríficos.
  O problema brasileiro é que tantas coisas são tocadas sob o manto obscuro da irregularidade, e isto acontece na área governamental e também nos negócios privados, ocorrendo muitas vezes de os dois setores operarem em conjunto nessas práticas. Porque onde há um fiscal, há também quem tente suborná-lo. Por isso se justifica a tomada de medidas mais radicais.

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