O penoso drama do pedágio e seus aumentos
O Departamento de Estradas de Rodagem (DER) do Paraná afirma não concordar com os reajustes propostos pelas concessionárias do pedágio (para entrar em vigor no próximo dia 1º), mas parece que nesta questão só vigora um poder: o dessas empresas, e que nada adianta a outra parte contratante discordar. A Justiça sempre tem dado ganho de causa às concessionárias, parecendo que só existe uma lei unilateral no processo. Não se duvida que a contestação do DER de nada irá valer e que as concessionárias triunfem de novo.
Agora, decisão judicial reativou a cobrança do pedágio entre Andirá e Cambará, e isto significa mais uma derrota do usuário. O representante paranaense e catarinense da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias, João Chiminazzo, retoma sua arrogância costumeira e declara que a concessionária não está jogando a toalha no caso de Jacarezinho (a praça que foi fechada).
E no mês que vem ou começo do ano devem entrar em funcionamento mais quatro praças de cobrança no Paraná das concessionárias OHL do Brasil, que, embora com tarifas mais baixas, começam a cobrar mesmo sem realizar obras fundamentais, o que só deve acontecer a partir do quarto ano. Por ora são construídos os balcões arrecadadores. E isto é do contrato para valer por 25 anos demonstrando que a empresa vencedora da concorrência não entra com capital próprio, pois irá capitalizar-se com dinheiro dos usuários, o que caracteriza um empréstimo, e sem pagar-lhes juros. Coisas assim é que marcam o esdrúxulo modelo implantado no Paraná. O pedágio é fórmula adotada em muitos países, mas não a custo tão elevado quanto no Brasil. O sistema mais correto é a privatização total da construção de rodovias. Neste caso a concessionária constrói uma estrada nova, com seus próprios recursos, e a mantém coletando pedágio durante o período de concessão (geralmente de 24 anos). Após esse período transfere a obra para o Governo. Trata-se do Build-Operate Transfer. As rodovias alternativas continuaram, ou seja, as que já existiam.
Pagar por manutenção é um tipo de negócio aceito, mas sabe-se que nos Estados Unidos, por exemplo, a tarifa para esses acordos específicos é baixa, em muitos casos de fração de dólar. Não como no Paraná, onde um caminhão de seis eixos paga R$ 59,50 só para uma passagem. Se, em viagem longa de ida e retorno ele passar por 20 praças, é só fazer a conta do rombo. Tudo isto o Governo de Jaime Lerner assinou em contratos.





