O pasquim do Milanez
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 24 de novembro de 1998
Antonio Celso Costa 
Sou um leitor da Folha de Londrina desde que aqui cheguei em julho de 1957, vindo da capital paulista em busca de melhores condições de vida. Instalado, fui em busca de emprego. Rodei a cidade durante três meses e nada consegui.
Aí, a Folha de Londrina começou a fazer parte da minha vida. Um anúncio de emprego chamou a atenção de meu pai, e ele, depressa, marcou o local e chegando em casa foi logo me dizendo que eu não precisava mais gastar a sola do sapato porque a Folha de Londrina tinha arrumado um emprego para mim.
A oferta exigia qualificações que eu não tinha e minha idade também não correspondia à solicitação. Mesmo assim, meu pai insistiu. No dia seguinte, coloquei a melhor roupa, passei uma Glostora no cabelo (que naquele tempo ainda tinha) e com a Folha de Londrina embaixo do braço segui até o endereço e me apresentei. Arrumei ali o meu primeiro emprego em Londrina.
O tempo passou, e quatro anos após, já com a vida razoavelmente estável, mas ainda pobre, nos dias de sábado, juntamente com alguns amigos que se encontravam nas mesmas condições, saíamos em busca de diversão e nos colocávamos em frente ao Grêmio Recreativo Londrinense, que naquele tempo, só permitia a entrada de sócios ou pessoas convidadas por sócios. Como não conhecíamos ninguém, ficávamos na porta vendo o movimento.
Lá pela 1 hora da manhã, que naquele tempo era madrugada alta, aparecia o pessoal da Folha de Londrina que havia terminado de fazer o jornal. Capitaneados pelo proprietário, João Milanez, eles entravam no clube na maior alegria e nós, jovens coitados, ficávamos na porta com uma inveja danada.
Num determinado dia, lá vem o pessoal da Folha de Londrina. João Milanez, vendo aquele grupo de jovens lá fora, conversou com o Sílvio, que era o temido porteiro do Grêmio, fez um sinal e nos disse: Ei pessoal, vamos entrar e dar uma olhadela lá dentro. A partir de então e até que tivéssemos dinheiro para comprar uma ação do clube, ficávamos aguardando o pessoal da Folha para que pudéssemos entrar. O João, com a influência do seu jornal, acabava de fazer um bem extraordinário a um grupo de jovens, cujo ato não esquecemos jamais. Ele provavelmente nem se lembra disso.
Assim é a Folha, assim foi a Folha. Trouxe benefícios às pessoas, às indústrias, ao comércio, ao município, ao Estado, e o Milanez nem se percebeu disso, porque sempre fez pensando no jornal, no pasquim, como dizia ele, que abriu muitas portas conseguindo feitos fantásticos aos quais somente com o passar do tempo é que damos o valor devido.
Durante todos esses anos, muitos jornais tentaram tomar da Folha seus leitores e assinantes, mas nenhum conseguiu. Nem mesmo os grandes diários do País conseguiram entrar no território onde a Folha de Londrina atuava e atua. É singular essa performance, pois não conheço nenhum jornal do interior que tenha suportado a atuação dos grandes, com tanta força, com tanta galhardia.
A Folha de Londrina, através do Milanez, investiu em muitas pessoas e aquelas que corresponderam seguiram em frente e hoje são grandes contribuintes do erário público, mercê do progresso que alcançaram, seja na vida particular, política ou comercial.
Rendo hoje minhas homenagens à Folha de Londrina pelos seus 50 anos, porque em 41 deles eu a acompanhei, e dou o meu testemunho de que ela foi e é muito importante para a vida das pessoas e da cidade de Londrina. Que o pasquim do João Milanez nunca acabe.
- ANTONIO CELSO COSTA é empresário, advogado e governador do Distrito 4710 do Rotary International, em Londrina


