O segundo turno para a eleição do governador do Paraná pode ser considerado ímpar, somado o curto período de campanha e os resultados das urnas. A expectativa de um confronto promovido pelos comitês dos dois candidatos, Roberto Requião e Alvaro Dias, felizmente foi contida pela postura do primeiro, que decidiu neutralizar eventuais ataques priorizando em seus discursos algumas propostas.
É claro, ocorreram momentos tensos e de provocações, inclusive nos poucos debates em que ambos estiveram frente a frente. Mas o que se viu naufragar foram as tentativas de apelo aos erros e equívocos pessoais, demonstrando que o eleitor já não se deixa influenciar por briguinhas que adquirem tom de perversidade. O mesmo não se diz de críticas às gestões passadas, pois tanto Requião quanto Alvaro já passaram pelo Palácio Iguaçu e quase que na mesma medida deixaram saldos questionáveis em atos específicos para determinadas áreas.
Também foi sentida a ausência de uma marca política para as gestões de ambos. Se Alvaro vencesse, a sua diretriz administrativa seria semelhante àquela do passado, de quando o candidato governou o Paraná? Haveria alguma diferença entre o Alvaro governador e o Alvaro senador? Ou em ambos os casos, além de administrar na primeira circunstância e legislar na outra, não teriam essa marca? O mesmo se questiona de Requião, o eleito.
Pois propostas, apresentadas no embate da campanha, não mostram esse perfil. De nada adianta saber que um vai endurecer com as concessionárias do pedágio e outro vai auditar os contratos de concessão. Isso não indica nada. Não cabe como parâmetro saber que um vai extipar da polícia os maus elementos e o outro pretendia aumentar seu efetivo. Isso só serve para saber que um promete jogar duro e outro pretendia as vias do acerto.
Falta uma marca política e o eleitor paranaense espera por ela. Que o governo do eleito, Roberto Requião, não seja o mesmo do passado. Como ocorreu no Brasil, o Paraná também quer mudança, apesar de definir alguém que já governou o Estado.

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