O Paraná que vende pela internet
O avanço das vendas on-line mostra o dinamismo da economia, mas exige planejamento urbano e atenção ao comércio de rua
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segunda-feira, 14 de setembro de 2026
O avanço das vendas on-line mostra o dinamismo da economia, mas exige planejamento urbano e atenção ao comércio de rua
Folha de Londrina 
O avanço do Paraná no comércio eletrônico é um dado que merece ser visto com atenção. O Estado aparece entre os cinco que mais enviam encomendas no país e, mais importante, entre os três que apresentaram maior crescimento no primeiro semestre deste ano. Os 17% de alta no volume de envios em relação ao mesmo período de 2025 colocam o Paraná atrás apenas de Santa Catarina e Rio Grande do Sul nesse quesito.
O número funciona como mais um indicador do dinamismo da economia estadual. Vender pela internet significa ampliar mercados, alcançar consumidores que estão a centenas ou milhares de quilômetros e criar oportunidades que antes estavam restritas à capacidade de uma loja de atender fisicamente determinada região. Para pequenas e médias empresas, em especial, essa mudança pode representar a possibilidade de crescer sem necessariamente multiplicar na mesma proporção sua estrutura física.
Por trás de cada compra virtual existe uma cadeia econômica que vai muito além da tela do celular. Há quem produza, armazene, embale, transporte e entregue. Há empresas de tecnologia, meios de pagamento, plataformas de venda, serviços de atendimento e marketing digital. Há também a atividade dos centros de distribuição, dos pontos de retirada e de toda a infraestrutura que permite que uma compra feita em uma cidade chegue rapidamente a outra.
A expansão da logística ajuda a explicar esse movimento. Mais eficiência, maior capilaridade e redução dos prazos de entrega tornam o comércio eletrônico acessível a um número maior de consumidores e empresas. O crescimento das pequenas e médias empresas nesse mercado é particularmente relevante porque amplia a concorrência e permite que negócios locais encontrem consumidores fora de seus mercados tradicionais.
É uma transformação que o Paraná tem condições de aproveitar. Um Estado com forte atividade industrial, agropecuária e de serviços pode se beneficiar de uma rede comercial capaz de conectar sua produção a mercados de todo o país. Para o empresário, a internet deixa de ser apenas uma vitrine e passa a ser um canal efetivo de negócios.
Mas o crescimento também precisa ser acompanhado por uma discussão sobre seus efeitos nas cidades. Mais encomendas significam mais veículos de entrega circulando pelas ruas, maior demanda por áreas de carga e descarga, necessidade de pontos de retirada e pressão adicional sobre a infraestrutura urbana. O ganho de eficiência da logística não pode ser analisado apenas pelo tempo entre o clique e a chegada da encomenda à porta.
É preciso medir como essa transformação interfere no trânsito, no uso das vias e na organização das cidades. E também discutir contrapartidas para que o avanço do comércio eletrônico não aconteça à custa do comércio de rua. Lojas, restaurantes, serviços e demais estabelecimentos que ocupam os espaços públicos têm uma função que não se resume à venda: ajudam a manter as ruas movimentadas, ocupadas e mais seguras.
O futuro do comércio não precisa escolher entre a loja física e a tela do celular. O próprio exemplo de empresas que ampliam as vendas on-line sem abandonar o ponto físico mostra que os dois modelos podem se complementar. Cabe ao poder público e ao setor privado acompanhar essa mudança com a mesma velocidade com que ela acontece.
O Paraná está vendendo mais pela internet. É uma boa notícia para a economia e um sinal de que empresas e consumidores estão incorporando novas formas de fazer negócios. O próximo passo é garantir que essa modernização também produza cidades melhores para quem vende, para quem compra e, sobretudo, para quem vive nelas.
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