Este mês, em Curitiba, estará sendo realizado o Congresso Brasileiro de Enfermagem. Também na capital, em março do próximo ano, outro importante evento estará sendo promovido, o Congresso Brasileiro de Epidemiologia. E, ainda em outubro, em Londrina, dois eventos da maior importância na área da saúde estarão sendo realizados: o 4º Congresso Nacional da Rede Unida e a 12ª Reunião Internacional da Network. Em seu conjunto, serão milhares de participantes de outros Estados e de outros países que estarão no Paraná debatendo, trocando experiências e definindo novos rumos para seus campos de atuação.
Isso não acontece por acaso. Um dos motivos disso tudo foram decisões tomadas há cerca de 30 anos. Giram em torno da criação, no início da implantação da UEL, dos cursos de odontologia, medicina, enfermagem, farmácia e fisioterapia. As inquietações que sempre marcaram a atuação dos professores e dos estudantes desses cursos levaram Londrina a ocupar papel destacado no panorama nacional. Pouca gente sabe, mas aconteceu em Londrina, por exemplo, em 1987, a criação do Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde, organismo que tem hoje papel decisivo nos rumos da política nacional de saúde.
Todos os dias são divulgadas notícias dando conta das dificuldades do sistema de saúde cumprir os princípios constitucionais da universalidade e da integralidade. Apesar do reconhecimento de que a Reforma Sanitária Brasileira, bandeira de luta desfraldada em 1986, durante a 8ª Conferência Nacional de Saúde, tenha trazido inúmeros benefícios para a população, dentre os quais vale relembrar o fim da odiosa discriminação entre os que tinham e os que não tinham ''carteirinha do INPS'' e o fim de estruturas centralizadoras, corruptas e burocráticas como o Inamps, substituídas pelos sistemas municipais de saúde, ainda há muito por fazer.
A universalidade, ou seja, o direito efetivo de todos à saúde é um princípio que está intimamente relacionado com o desenvolvimento econômico e social, pois diz respeito a melhores condições de trabalho, de moradia, de vida enfim. Já a integralidade, isto é, a prestação de serviços de promoção, de prevenção, de cura e de reabilitação, depende muito mais da forma como os serviços de saúde são organizados e da maneira como os médicos e os demais profissionais de saúde atuam.
Recentemente, em dezembro do ano passado, durante a 11ª Conferência Nacional de Saúde, em Brasília, foram realizadas análises sobre as conquistas e as deficiências do SUS. Foram destacadas com ênfase tanto a diminuição dos índices de mortalidade infantil como a regulação dos planos de saúde, dentre outros pontos positivos que podem ser verificados no dia-a-dia da vida do brasileiro. Igualmente foram destacadas as deficiências do sistema de saúde e os recursos humanos em saúde, ou seja, o perfil de atuação do médico e dos outros profissionais de saúde, foi apontado como o maior desafio que enfrentam os serviços públicos e privados de saúde.
A melhor qualidade dos atos prestados, a humanização do atendimento e o controle dos custos da assistência dependem da forma como trabalham os profissionais de saúde, em especial os médicos. Esse é um reconhecimento internacional e que já vem desde os anos 80. Os países mais desenvolvidos desenvolvem políticas de mudança na formação dos profissionais de saúde há muito mais tempo. Este mês, entre os dias 20 e 25, a maior parte das experiências, projetos e políticas internacionais nesse terreno estarão sendo apresentadas e discutidas em Londrina durante uma importante reunião internacional, que pela primeira vez nos últimos 30 anos é realizada na América do Sul. Todas as outras 11 reuniões anteriores foram promovidas em países da Europa, América do Norte ou Ásia.
Mas no Brasil esse movimento é mais recente. Vem desde os anos 80. Os cursos da área da saúde da UEL desempenham papel destacado nas discussões nacionais e internacionais que se realizam. Por isso mesmo a cidade se credenciou a sediar os dois eventos mais importantes, em âmbito nacional e internacional, que aprovarão importantes diretrizes de ação nesse campo. Além do conteúdo científico e cultural dos eventos, temos certeza de que a hospitalidade do povo paranaense e em particular do de Londrina contribuirá para o sucesso desses eventos e para que ingressemos definitivamente na rota da saúde internacional.
- MARCIO ALMEIDA é professor universitário em Londrina e coordenador da Secretaria Executiva da Rede Unida

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