O que foi economizado com os desleixos e o corte de verbas para combate à febre aftosa está resultando infinitamente maior, em prejuízos, pelo extermínio de bovinos contaminados e pelo gasto com as várias frentes de mobilização visando restabelecer a calmaria. Começando pelos técnicos, fiscais, imunizadores e as polícias militar e rodoviária, na detecção de eventuais novos focos e no bloqueio das fronteiras estaduais e internacionais, a fim de impedir que a doença se alastre. No âmbito governamental, o presidente Lula e ministros foram aos países importadores de carne para buscar a retomada das compras do produto brasileiro, que foram suspensas. Algo que não ocorrerá tão cedo, pela informação desses emissários. A perda em dólares é muito grande, e irrecuperável, porque o ritmo foi interrompido e o consumo que tem deixado de ocorrer, nas mesas dos consumidores estrangeiros, já é coisa perdida. No caso do Paraná, age certo a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento ao não acreditar na afirmação do Ministério da Agricultura e Pecuária de que a situação está sob controle. Por isso está radicalizando suas ações, fechando as divisas para entrada de animais vivos, de seus produtos e subprodutos, de material de multiplicação genética e inclusive vegetais e outros produtos da agricultura, procedentes de Mato Grosso do Sul ou que tenham transitado pelo vizinho Estado. A medida é consonante com o que deliberaram os Secretários de Agricultura e Pecuária de 16 Estados, porque o problema alarma os pecuaristas e os governantes do País inteiro. A probabilidade de a aftosa entrar no Paraná vai de 0 a 100, no dizer do secretário Orlando Pessuti, e faz sentido, porque novos focos já foram detectados naquele Estado. Pessuti também defendeu como este Jornal já havia indicado que o Exército seja acionado nessa cruzada, que é de interesse nacional e não apenas dos produtores rurais, porque a movimentação dos negócios da agricultura e da pecuária tem pesada importância na vida econômica brasileira, inclusive pela captação de dinheiro externo. Com efeito, as Forças Armadas existem para atender a todos os casos pertinentes à segurança nacional, que não se circunscrevem apenas a eventuais operações de guerra mas a situações como esta, assim como a preservação das riquezas do País e as garantias coletivas dos cidadãos. São em momentos como esses que o contingente, com 320 mil homens e pesada estrutura tática e logística, deve ser convocado, porque é da sua atribuição.

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