As queixas aos repórteres da FOLHA são as mesmas em todas as cidades do Paraná, grandes ou pequenas: os furtos e roubos aumentaram consideravelmente nos últimos tempos. Os homicídios com características de execução também. Sinais da presença das drogas, especialmente o crack. Quem é viciado faz qualquer coisa para conseguir uma pedra. Quando não consegue dinheiro para pagar a dívida com o tráfico é sentenciado à morte.
  Dormir com janelas abertas e deixar a casa desocupada por algum tempo virou coisa do passado em municípios com menos de cinco mil habitantes, considerados recantos de paz há menos de 20 anos.
  No País todo a situação é semelhante. Mas o caso do Paraná tem uma particularidade: boa parte dos entorpecentes que vão para outros estados e até outros países passam por nossas estradas, depois de penetrarem por nossas frágeis fronteiras com o Paraguai. E acabam ficando em território paranaense.
  As polícias têm se esforçado para combater o problema. Ontem, a Operação Tocaia, da Polícia Federal, desarticulou uma organização criminosa de tráfico de drogas com base em Foz do Iguaçu, prendendo 26 pessoas. Segundo a PF, a quadrilha é especializada na aquisição de maconha e crack, em território paraguaio e na remessa da droga para os estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais e Bahia.
  Porém, é preciso fazer muito mais. Passou da hora de o Estado e o País investirem de verdade nisso. Durante a campanha, o governador eleito prometeu travar uma ‘‘guerra contra o crack’’. Os dois candidatos à presidência também prometem - quando sobra tempo em meio às brigas - olhar mais de perto para a questão, que é ampla. Como tratar os usuários? Como evitar que mais jovens se tornem dependentes? É preciso - e viável - mudar a legislação penal, tornando mais dura a punição ao usuário? São questões que ainda parecem longe de serem respondidas.
  É preciso, de uma vez por todas, sair do discurso e encarar o problema. Paralelamente, investir, de verdade, nas necessidades básicas - educação, saúde, cultura, transporte -, ainda longe de serem supridas como mostraram reportagens recentes da FOLHA. Do contrário, seremos eternas vítimas.

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