O Paraná e o risco da dengue
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 18 de outubro de 2002
Silvio Fernandes 
Lamento dizer que o Estado do Paraná não está preparado para enfrentar a dengue no próximo verão. Em julho último os coordenadores nacionais do Ministério da Saúde estiveram no Estado para apresentar o Plano Nacional de Controle da Dengue. Para que os leitores tenham conhecimento, a estratégia nacional de combate à doença prevê aplicação de um conjunto de ações consubstanciadas em um Plano Nacional, de responsabilidade do Ministério da Saúde, planos estaduais, cuja aplicação é atribuição das secretarias estaduais de saúde e planos municipais, a cargo dos municípios.
O Plano Nacional prevê, entre outras coisas, apoio aos municípios considerados prioritários com mais casos no último verão e maior risco de tê-los no próximo para contratar novos agentes de controle da dengue e adquirir veículos e equipamentos. Os recursos que propõem repassar são suficientes? Não são e, aliás, estão bem distantes disso. No Paraná deveríamos, por exemplo, contratar um agente para cada 800 imóveis. O plano estadual, que, em tese, deveria constituir apoio adicional para o desenvolvimento das ações de controle no estado, nada contém de consistente nesse sentido.
Em síntese, os 40 municípios prioritários do Paraná (incluindo Londrina) não terão recursos suficientes para desenvolver planos eficazes de controle da dengue. Mesmo que ampliem os recursos por parte do tesouro municipal o que, aliás, a maioria já vem fazendo como mostram dados orçamentários oficiais não teremos toda estrutura necessária para fazer o que deve ser feito.
Não podemos esquecer que o último verão chegou a ser dramático, especialmente, no Rio de Janeiro. Foram registrados milhares de casos e, o que é pior, com muitos na forma hemorrágica. Internações, muitas mortes, comoção nacional e troca de acusações sobre quem eram os responsáveis: É o governo federal? Ou é o governo estadual? Ou será que o culpado é o município do Rio de Janeiro?
Epidemia semelhante pode acontecer no Paraná? Espero que não, mas esse risco existe. Já tivemos 26% mais casos notificados neste ano do que no ano passado e, o que é pior, o aparecimento de casos de dengue hemorrágica. Estes fatos e a rápida disseminação de novos sorotipos do vírus que causa a doença anunciam novas epidemias. E se isso acontecer surgirão, certamente, acusações entre as autoridades públicas sobre de quem é a responsabilidade.
É preciso ficar claro, portanto, antes que uma epidemia ocorra, que os recursos financeiros destinados aos municípios não cobrem as necessidades para a intensificação das ações de controle, conforme manifestou o Conselho Estadual de Secretários Municipais de Saúde, havendo, portanto, necessidade urgente de ampliação deste valor por parte do Ministério da Saúde ou do Governo do Estado do Paraná.
SILVIO FERNANDES DA SILVA é secretário de Saúde de Londrina


