O Paraná com freio de mão puxado
O Brasil perde cerca de R$ 3 bilhões por ano, somente no item soja, por falta de infraestrutura adequada no Porto de Paranaguá. Por falta de logística no transporte rodoferroviário, perde competitividade em outros itens. A eficiência da produção antes da porteira, ou seja na fazenda, é neutralizada pelos gargalos que a carga de grãos enfrenta da porteira para fora.
Ao discutir perspectivas para a economia paranaense e brasileira, em 2010 no âmbito da indústria, exportação, agronegócio e finanças, um grupo de economistas do Conselho Regional de Economia (Corecom) apontou um diagnóstico de dificuldade em infraestrutura. A agroindústria, notadamente seu primeiro elo, a produção primária, é o setor mais prejudicado.
Para um dos analistas, o consultor técnico para assuntos de logística e infraestrutura da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Luiz Antonio Fayet, o sistema portuário é um escândalo.
Outro técnico, o diretor do curso de Economia da FAE, Gilmar Mendes Lourenço, lembrou que os setores que receberam incentivos fiscais do governo foram o de automóveis, construção civil e a linha branca. Mas foi citado que o setor que transfere renda com mais rapidez é o agronegócio.
O ponto mais importante da discussão foi admitir que o Brasil teve uma recuperação acentuada e passa por um novo ciclo econômico. Em 2008, o Brasil teve um crescimento da produção industrial superior a 6% por trimestre. O setor de bens de capital foi o que mais puxou este resultado seguido por bens de consumo. Depois, a produção encolheu por quatro trimestres, desde outubro de 2008 até setembro de 2009.
Nos últimos 12 meses, a produção caiu 10,3% no Brasil. Mas isto deve ser debitado a uma crise mundial de contornos imponderáveis para as economias emergentes.
A crise - que não foi uma marolinha, como deixam bem claro os economistas -, atrapalha as projeções de crescimento. No agronegócio a estimativa era dobrar as exportações no período de 2007 a 2017. No entanto, a crise retardou esse processo em aproximadamente três anos.
Apesar do cenário atual, o que se projeta é uma nova fase de prosperidade, principalmente no segmento em que o Paraná é bem forte, a agroindústria.





