O papel do vice-prefeito
Em outubro, 140 milhões de eleitores irão às urnas escolher prefeitos e vereadores nos mais de cinco mil municípios brasileiros. Além dos dois cargos em questão, a escolha dos vice-prefeitos passa quase despercebida pelo eleitorado. Isto muito em função do mito criado no Brasil de que vice pouco ou nada representa. Mais do que mera figura decorativa na chapa majoritária, o vice tem papel essencial na governabilidade do futuro chefe do Executivo municipal.
Infelizmente, no Brasil a escolha do candidato a vice raramente é pautada pela afinidade ideológica. Daí que nem sempre há consenso interno nos partidos na escolha do vice para determinada chapa. No jogo para conquistar o poder constrói-se uma imensa colcha de alianças que mescla correntes ideológicas diametralmente opostas. Uma conta que, com certeza, será cobrada no futuro para que a governabilidade seja mantida.
Reportagem da FOLHA abordou na edição da última segunda-feira como os seis candidatos a vice-prefeito de Londrina foram escolhidos e qual a relação com os candidatos a prefeito. Todos os vices alegaram possuir sintonia fina e até amizade - alguns muito recentemente em função de alianças - com os prefeituráveis. E é bom que esta relação seja duradoura após a confirmação da dupla vencedora mesmo após o pleito e durante os próximos quatro anos de mandato.
Afinal, longe do rótulo de peça acessória, o vice pode assumir o cargo de prefeito na ausência deste último, seja em caso de viagem, licença médica, morte ou cassação de mandato. Este último aliás em algumas cidades tem sido a razão principal de o vice sair da sombra para ocupar a cadeira de prefeito. O eleitor de Londrina conhece bem essa história, pois em menos de 15 anos a cidade teve dois prefeitos cassados - Antonio Belinati (2000) e Barbosa Neto (2012) - e os vices assumiram o mandato.
Vale lembrar ainda que nos últimos 30 anos dois vices-presidentes da República deixaram de ser mero coadjuvantes e assumiram o poder: José Sarney em 1985 após a morte do presidente eleito Tancredo Neves e Itamar Franco em 1992 depois do impeachment de Fernando Collor de Mello. Então, mais do que prestar atenção apenas nos planos de governo do futuro prefeito, cabe ao eleitor também distinguir como o vice-prefeito poderá contribuir ou prejudicar o próximo governante de seu município.





