O Papa é a sua própria presença
O Papa é a sua existência e a sua presença, porque dele já se conhece a palavra, mesmo que, em face de seus problemas de saúde, há duas semanas não consiga falar. A privação da voz não lhe diminuiu o poder, porque a humanidade inteira, católica ou não-católica, conhece o seu ministério, dedicado a semear a fé e a esperança e velar pelos oprimidos do mundo. Curvado pela tarefa de sua semeadura, que foi contínua, aos 85 anos de idade falha-lhe a força física mas não a sua força espiritual. A multidão de 70 mil fiéis que o viu aparecer na janela de seu apartamento, domingo após a missa da Páscoa, prostrou-se comovida, mesmo sem ouvir sua palavra, e 1 bilhão de católicos do planeta, dos quais em torno de 120 milhões no Brasil, acompanham seus movimentos e mais reforçam sua fé ante a figura do Pontífice. Ele é um líder mundial, que aponta para os problemas temporais mas não descuida de salvaguardar os fundamentos da espiritualidade. O Céu não é um lugar mas um estado de comunhão com Deus, disse o Papa alguns anos atrás, revelando a sua natureza mística. A Igreja Católica tem vivo e lúcido o seu chefe supremo, que mesmo privado da fala é uma luz presente, que não diminuiu a sua chama. O exercício de missão manifesta-se na sua própria figura, nos seus acenos e na sua silenciosa demonstração de vigor e de vontade. João Paulo II continua o apóstolo da esperança e impera soberano, mesmo com sua saúde debilitada e passando por sofrimentos físicos, sem denotar nenhum enfraquecimento na devoção e na responsabilidade de sua peregrinação como cérebro e coração da Igreja. No panteão dos iluminados líderes que vieram para disseminar palavras de paz, em meio aos contrários que atribulam o mundo, o Papa se impõe como figura solene. Sua força política tem sido respeitada em todas as nações, que sempre tiveram nele um conciliador e um mediador imparcial. Os fiéis católicos e os obreiros da causa da coexistência pacífica entre os povos não reclamam um sustituto imediato para do Papa face à circunstância de sua saúde, e não têm urgência em eleger seu sucessor, porque a presença deste missionário ocupando o trono papal é suficiente para manter a integralidade e a verticalidade da Igreja. Sua vasta e meritória obra dá-lhe sustentação e o faz um guia perene, que já não tem obrigação de esforçar-se por pronunciar palavras, porque ele nunca desperdiçou um minuto de seu tempo ao longo do papado, e sua missão está completa.





