O pão, no caso, é o trigal que cresce no bom comportamento do clima, mas é ‘‘amassado’’ pela política de abastecimento amadora e discriminatória. Já o diabo é a falta de planejamento que frustra qualquer chance de uma produção capaz reduzir a dependência da Argentina. O governo brasileiro joga contra o agronegócio, mas, no caso do trigo a marcação foi mais forte. Entre os equívocos, uma mentira: a matéria prima para produção de farinha tem que ser importada porque o cereal nacional não é de boa qualidade. Errado! O trigo nacional é de boa qualidade sim, apenas não reúne certas características para o macarrão; alguns tipos de macarrão.
  Seguinte: conforme esta FOLHA divulgou ontem, na reportagem de Erika Zanon, a Faep encaminhou documento ao governo solicitando a revisão dos preços mínimos do trigo, anunciada na quarta-feira. A Faep alega que a medida é ilegal, já que foi determinada quando 87% da área já estava plantada. O mínimo, que serve para balizar o mercado e garantir renda ao produtor em caso de problemas com a safra e a comercialização, sofreu redução de 10%, com valores que variam R$ 19,90 a R$ 29,97. Na ocasião, o ministro da pasta disse que a medida havia sido um ‘‘consenso’’ no governo e ocorreu em função do alto valor fixado anteriormente.
  Consenso no governo? Como uma medida que mexe com interesses de produtores, industriais e consumidores tem que sair de um ‘‘consenso no governo’’, ainda mais que o governo não domina o assunto? Isso tem que ser discutido com todos os setores envolvidos. Para Pedro Loyola, economista da Faep, a medida deveria ter sido tomada antes do início do plantio. ‘‘Existem regras para se fixar os preços mínimos e o governo não as levou em conta.’’ Loyola ressaltou que a redução de preço mínimo é descabida se for levado em conta que o custo operacional do trigo no Paraná, segundo a Conab, é de R$ 32. Conab é órgão do governo!
  Os agricultores plantaram sementes de boas variedades para converter derivados igualmente de qualidade. Mas, procedendo assim, o governo é o primeiro a depreciar o trigo nacional. Seria por que o lobby da indústria tem força?

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