O País dos juros
Que as taxas de juros brasileiras são altíssimas não chega a ser novidade para ninguém. Traduzido diariamente pela imprensa, seja pela alta carga tributária ou pelos juros pagos pelos consumidores no cheque especial ou no crediário, o que surpreende é a diferença entre os índices praticados por outros países. Na semana passada, por exemplo, chamou atenção o fato de a Taxa Selic ter chegado a 8% ao mês, o menor índice desde o início da década de 90. Apesar da queda, os juros reais (descontada a expectativa de inflação) ficaram em 2,3%, ainda assim a terceira maior do mundo, atrás apenas da China (3,7%) e da Rússia (3,5%).
Nesta semana, pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste) em 13 instituições bancárias e financeiras, aponta que a taxa anual do crédito rotativo do cartão de crédito está em 323,14%, resultado da média mensal de 12,77%. O índice brasileiro é o maior entre os países da América Latina. Além disso, a diferença de taxas pagas pela população é gritante. No Peru, que tem o segundo maior índice, o percentual médio é de 55%; no Chile, 54,24%.
Além disso, levantamento da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade aponta que a taxa média de juros cobrados pelas operadoras de cartão de crédito foi a única que não recuou, enquanto todas as outras taxas tiveram queda. Talvez esse comportamento seja explicado pelo fato de que o cartão de crédito é a modalidade de pagamento que mais cresce no Brasil. Seja pela facilidade ou pela segurança, esse tipo de pagamento caiu no gosto do brasileiro. Na avaliação de especialistas, o crescimento da utilização do cartão contribuiu para o endividamento das famílias. E, de fato, a falta de educação financeira tem levado muitas pessoas ao descontrole.
Por isso, é importante que os brasileiros se preocupem mais com sua ''saúde financeira''. O aumento do poder aquisitivo aumenta também a responsabilidade. O consumo é positivo, mas é importante também que as parcelas caibam no orçamento para que os níveis de inadimplência não aumentem, o que será prejudicial para todos.





