Nascido em Paraíso do Norte, no Noroeste do Estado, em 25 de abril de 1965, o padre Reginaldo Manzotti ultrapassou todas as barreiras geográficas do País e é hoje um fenômeno de popularidade. Sacerdote, escritor, músico, compositor, cantor e apresentador de rádio e TV, ele tem programas de rádio - transmitido em mais de 1,5 mil emissoras – e de TV que abrangem 36% da população brasileira.

Autor de oito livros escritos em linguagem simples e atual, o padre destaca que as obras são destinadas à evangelização e ao crescimento espiritual. Hoje, ele estará na Livrarias Curitiba do Shopping Catuaí, em Londrina, entre as 15 e as 21 horas, para sessão de dedicatórias do livro "Milagres", segundo título da trilogia "Sinais do Sagrado".

Em entrevista à FOLHA, Manzotti explica que o livro traz relações entre os textos bíblicos, escritos há cerca de 2 mil anos, com a realidade contemporânea, segundo ele, uma forma de atualizar os apelos dos fieis.

Para fazer a transposição das histórias contadas por Jesus para o tempo presente, o padre utiliza testemunhos reais para mostrar como as parábolas têm o poder de transformar vidas.

O padre paranaense também atingiu a marca de mais de 1,5 milhão de cópias vendidas somando 11 CDs e 3 DVDs lançados. Em 2013, foi indicado ao Grammy Latino pelo trabalho "Paz e Luz", gravado na Igreja da Candelária com as participações especiais de Thiaguinho, Fernando & Sorocaba, Thaeme & Thiago, Joanna e Cantores de Deus.

Artistas renomados como Fafá de Belém, Gusttavo Lima, entre outros, também já fizeram parcerias com o sacerdote e todas estão em seu mais recente trabalho de evangelização pela música, o CD "Entre Amigos". No início do ano, ele foi eleito pelo portal espanhol Aleteia o sacerdote mais acessado e seguido nas redes sociais do mundo e foi escolhido para ser embaixador da Pastoral da Pessoa Idosa no Brasil.

Com tanta exposição, o padre diz saber lidar bem com as tentações da vaidade. Segundo ele, a exposição exige muito, mas toda a evangelização é feita a serviço de Deus e da Igreja. Manzotti também comenta sobre o auxílio que presta aos fieis em seus programas, com aconselhamentos que vão muito além da questão espiritual, e sobre a atuação do Papa Francisco à frente da Igreja Católica.

"Parábolas" é o segundo livro da trilogia "Sinais do Sagrado". O que o leitor de "Milagres" (2014) pode esperar desta sequência?
De fato, o livro "Parábolas" faz parte da trilogia "Sinais do Sagrado", mas ele é independente. É uma proposta de recuperar as histórias, que nós chamamos de parábolas, e tentar atualizar. A grande pergunta deste livro é: o que Deus quer de mim? Que cada um faça essa pergunta, porque às vezes nós pensamos algo para nós, mas Deus pensa muito maior. O sonho de Deus é maior que o nosso.
Quem leu o livro "Milagres", pôde refletir sobre a ação de Deus, e ao ler o "Parábolas", pode transformar a sua vida com as histórias de Jesus. O livro traz em sua introdução que Jesus era ótimo contador e que as parábolas são uma das formas de ensino usadas por Ele, baseadas no cotidiano da época.

Como funciona a "transposição" destas histórias para o tempo presente, com temas atuais?
Para cada uma das oito parábolas, apresento um testemunho real para mostrar como as histórias contadas por Jesus têm o poder de inspirar e transformar nossas vidas. Além disso, em cada capítulo tem um Salmo, transformando a leitura do livro num caminho de oração e contemplação do sagrado.

Hoje o senhor é reconhecido em todo o Brasil como um fenômeno de massa com seu programa evangelizador. Imaginava essas proporções no início de sua vida religiosa em Paraíso do Norte?
Completei 20 anos de sacerdócio em janeiro deste ano e refletia sobre esse assunto. Sou muito grato a Deus por ter realizado tanto em minha vida, não sabia o que Ele me reservava quando entrei no seminário. Sou um instrumento nas mãos de Deus e Ele me usa até quando e como quiser. Aos 12 anos de idade ingressei no Seminário dos Frades Carmelitas em Graciosa (distrito de Paranavaí), também no interior do Paraná. Sou muito grato pela formação que recebi, tanto dos carmelitas, quanto das vicentinas, onde estudei quando criança.

Em seus programas de rádio, o senhor deixa claro a importância da religiosidade, mas também auxilia os fieis atuando quase como psicólogo, médico, advogado. Acredita que essa é uma característica necessária aos novos líderes da Igreja?
Com certeza. Acredito que todos nós, sacerdotes, devemos acolher da melhor forma possível a comunidade e as pessoas, e para isso precisamos escutar, conversar, dar conselhos, rezar etc. Principalmente agora, com a proclamação do Ano Santo da misericórdia, quando o Papa Francisco nos convida a sermos misericordiosos, como Deus é misericordioso.

Com a exposição na TV e em mais de 1,5 mil emissoras de rádio brasileiras, como lida com a questão da tênue linha que separa a evangelização do culto à personalidade? A vaidade é uma preocupação?
Não, pois estou aqui a serviço de Deus e da Igreja. Tenho a consciência de que a exposição exige muito de nós, mas o faço com muito carinho porque evangelizar é preciso!

Há dois anos e meio à frente da Igreja, o Papa Francisco se mostrou atento às mudanças do mundo, com posições liberais em vários temas. Acredita ser o caminho natural da Igreja?
Me chamou muito a atenção quando o Papa Francisco, ao falar para os cardeais, (disse) que o que o mantem firme é a intimidade dele com Deus. Acredito que o Santo Padre está sendo muito dócil à ação do Espirito Santo e realmente faz a vontade de Jesus para a Sua Igreja.

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