A idéia do pacto social votou à tona como um fantasma. O atual governo está ressuscitando o velho chavão de Sérgio Naya: ''Foi apenas uma bravata, nada mais''. Se o atual governo que ontem fazia pregação feroz contra a taxação dos inativos e contra a diminuição da idade para a aposentadoria e hoje é favorável à idéia é porque a história que está sendo escrita é pura ''bravata''. Pois é, como o nosso o próprio presidente admitiu há alguns dias: ''Bravata é um luxo a que só se pode dar quem está na oposição''.
Nosso presidente já dá mostras de estar sendo um governo original. Já houve um rei dos franceses que disse: ''Depois de mim, o dilúvio!''. O presidente do Brasil, escolhido por meio democrático e direto, instaurou a bravata em sua vida política, com o respaldo de seu partido, o PT e parece contente com o feito realizado. Está se sobressaindo como um herói, em se tratando das bravatas.
Lula abandonou e se divorciou da fé dos seus seguidores petistas ao tomar o poder, como presidente. A sua atitude foi abrupta demais para convencer seus partidários decentes os radicais. Caso fosse outro partido e/ou presidente que tivesse a mesma atitude, com certeza, o PT diria que fora cometido um estelionato eleitoral. Mas como é o PT, o Lula, a ''renovação'', etc, foi apenas uma bravata da oposição.
Um exemplo disso está na generosidade com os empresários que os petistas comparavam a ''sonegadores'' e responsabilizavam, por exemplo, pelo déficit da Previdência. Quando FHC, em 2000, finalizava um programa para ajudar os empresários o mesmo que Lula aprovou , a prefeita recém-eleita Marta Suplicy se opunha dizendo que era uma imoralidade tal parcelamento. Hoje a prefeitura de São Paulo se beneficia com o parcelamento das dívidas e dos tributos municipais.
Infelizmente, certos veículos de comunicação se preocupam com o fluxo de escândalos e sensacionalismo para se manter no negócio. Exploram o espetáculo com o que a natureza humana é capaz de produzir de mais sórdido e perverso. A miséria é transformada em instrumento de marketing social para o governo.
O que esperar de um sistema que prendeu em flagrante o cidadão, Hamilton dos Santos, tratorista analfabeto que ''descumpriu'' uma ordem judicial porque se negou a demolir, com seu trator, uma casa humilde onde residia uma pobre viúva, mãe de sete filhos? Sendo que na mesma semana o Senado, presidido pelo sr. José Sarney, arquivou o processo em que a figura principal é suspeita pelos grampos telefônicos na Bahia, livrando-o da cassação do seu mandato de senador.
O povo brasileiro esperava uma mudança na ética política e dos políticos, mas percebe-se que estamos na mesma vala comum, onde o pobre é preso porque comete crime enquanto o rico é solto porque é beneficiado pela lei em função dos crimes cometidos por eles, ricos. No Brasil mudam-se as pessoas, mas o sistema é o mesmo! Para não citar outro dito popular. No Brasil o trabalhador carrega o fardo das sangrias permanentes das transferências de riquezas e poder para cima e para fora. Ele sabe que está sendo o ''Chapeuzinho Vermelho'' nessa história toda, infelizmente.
GILBERTO JORDÃO é professor universitário em Maringá

mockup