Um importante passo do presidente Lula - que já está no 20º dia do segundo mandato - é reunir os governadores na próxima segunda-feira para discutir uma agenda preparatória das propostas de reforma tributária e política. E será a ocasião em que também se conhecerá as linhas básicas do Programa de Aceleração do Crescimento Econômico, o PAC. Já está passando do tempo de conhecer-se ao menos esse pacote e de dar início aos debates para as duas reformas, especialmente a tributária.
Recentemente um estudo da Organização das Nações Unidas mostrou que o Brasil tem em seus governos os maiores cobradores de impostos do mundo, e que isto afasta investidores externos. E ontem os jornais voltaram a falar da alta carga tributária brasileira, mostrando que nunca o contribuinte pagou tanto imposto e tantas obrigações federais quanto em 2006. Os números: 392 bilhões e 500 milhões de reais. Todo este dinheiro ficou à disposição do Governo, que o utilizou para cumprir os seus encargos mas também para os gastos abusivos, para o desperdício e para a corrupção.
Se a pauta da reunião com os governadores não se ocupar apenas da divisão desse bolo mas também tratar da diminuição da sangria, então pode-se acreditar que há mesmo a intenção de fazer uma reforma. Sabe-se que em reunião desta semana com 130 prefeitos que foram ao Palácio, eles solicitaram ao Presidente a elevação de 1% do Fundo de Participação dos Municípios, um pleito que já é antigo e vem se arrastando. Agora Lula estaria propenso a fazer a concessão, dentro da prevista reforma.
Palavras não têm faltado, como as do ''novo'' presidente Lula de que deseja atuar mais próximo dos governadores e dos prefeitos, ''para colocar em prática coisas muito mais fortes e muito mais eficazes do que as colocadas nos primeiros quatro anos de governo'' - ele prometeu.
Destacados analistas da área econômica mencionam que reforma tributária significa reforma do ICMS, mas que o Governo Lula ainda não assimilou isto. Técnicos da Fundação Getúlio Vargas opinam que Lula perdeu a oportunidade de fazer essa reforma no início de seu governo, ''quando as condições eram mais propícias politicamente''. Eles acreditam que nessa reforma que agora Lula está articulando apenas se mexerá ''em pequenas coisas, para justificar interesses como a prorrogação da CPMF''. Mas será preciso sempre acreditar que agora vai, porque em dado momento terá de ir, se é que o presidente deseja mesmo ''destravar a economia'' - o novo mote governamental.

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