O OUTRO LADO DA HISTÓRIA
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domingo, 08 de dezembro de 2002
Betânia Rodrigues<br>Reportagem Local 
''A história do nascimento de Londrina tem um grande erro'', é o que diz o bancário aposentado Irohy Silveira Marcondes, de 74 anos. Ele é neto do coronel José Soares Marcondes, fundador da Companhia Marcondes de Colonização Indústria e Comércio e, segundo Irohy, o verdadeiro colonizador do norte paranaense.
Desde que estabeleceu-se em Londrina, o ex-bancário guarda todos os documentos e publicações referentes ao surgimento da cidade, inclusive algumas em que seu avô é chamado de posseiro. ''É uma injustiça omitir seu nome dos livros e jornais. Pior ainda é denegrir sua imagem'', afirma com mágoa. Para provar sua versão, ele prepara um livro no qual pretende contar a trajetória do coronel Marcondes que, antes de colocar seus pés em terra roxa, fundou a cidade de Presidente Prudente (SP) ao lado do coronel Francisco de Paula Goulart. Nenhum deles tinha ligação com o Exército, mas carregavam esse título graças à influência política e econômica que exerciam nos rincões paulistas.
Carioca de nascimento, Marcondes chegou a Prudente em 1919 com o intuito de lotear e vender terras. Foi lá que criou seus filhos e também a empresa de colonização. Com a experiência obtida naquela região obteve a concessão do governo paranaense para comercializar 350 mil alqueires (8.470 quilômetros quadrados) no norte do Estado, em 1920. Irohy guarda como relíquia a foto da primeira estrada aberta nestas 'bandas' pelo avô e os sócios. ''Eram 30 quilômetros entre Jardim Alegre e a estrada que ligava Inajá a Paranacity. À margem dela surgiram a primeira hospedagem e dois núcleos de povoação, formados por funcionários da colonizadora e pelos primeiros proprietários de terra''.
Além de corretor e administrador, coronel Marcondes também atacou de publicitário. Amigo de Júlio Prestes e do ex-presidente da República Washington Luís, ele falou pessoalmente com o ditador italiano Benito Mussolini quando esteve naquele País, e também no Japão, oferecendo as terras férteis do Paraná. Em 1925, fechou contrato com a recém-formada Companhia de Terras Norte do Paraná, subsidiária brasileira da Paraná Plantations Company, de origem inglesa. Segundo Irohy, o primeiro contato dos ingleses com as terras paranaenses aconteceu em janeiro de 1924, próximo ao que era o Porto Marcondes, na margem paulista do Paranapanema. Três anos mais tarde, a Companhia de Terras do Norte do Paraná já tinha 515.017 alqueires numa área que hoje correspondem às comarcas de Londrina e Maringá.
Para o ex-bancário, os ingleses só vieram ao Paraná para lucrar com a exploração de terras e madeira. Segundo ele, os estrangeiros, comandados por Lord Lovat, diziam que iriam colonizar a região e plantar algodão, mas foram embora assim que retiraram o que pudiam. ''Não tiro o mérito deles, mas incomoda o fato de apagarem o nome do meu avô da história. Eles apenas continuaram um trabalho que já vinha sendo feito com muito esforço em troca de uma ninharia'', resume.
Orgulhoso do sobrenome, Irohy pretende deixar para os quatro filhos e seis netos as provas de que o ilustre antepassado foi um homem de grande valor.


