O outro lado
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sábado, 07 de abril de 2007
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
Quase todos os dias, os veículos de comunicação têm uma triste história de algum delito cometido por adolescentes para noticiar. Furtos, roubos, homicídios, latrocínios, agressões a professores. Jovens que deviam estar com a mente repleta de sonhos, estudando, decidindo que carreira seguir, infelizmente estão envolvidos com o mundo do crime, engrossando os trágicos números da delinquência e aumentando a sensação de insegurança e medo que já faz parte da rotina das cidades brasileiras.
Não faltam debates sobre o que fazer com os menores infratores, que, às vezes, são retratados como os únicos culpados por toda a criminalidade. Fala-se até em reduzir a idade penal, que hoje é de 18 anos. Especialistas em segurança, sociólogos, promotores, policiais e políticos emitem opiniões sobre o assunto, apontando as mais diversas alternativas para solucionar o problema da violência envolvendo menores de idade.
Porém, os adolescentes infratores, quase sempre, são excluídos desse debate. Para saber o que eles têm a dizer, a reportagem da FOLHA foi para dentro do Centro de Sócio-Educação de Londrina, o Educandário, e conversou com alguns dos 59 jovens que atualmente ali estão internados.
Os meninos revelam histórias daquilo que eles chamam de um ''outro mundo'', o do crime, que tem seus próprios códigos e suas próprias leis. Os depoimentos são parecidos, mas, como dizem os profissionais que trabalham no Educandário, cada caso é um caso. No entanto, todos eles têm dois pontos em comum: vêm de famílias desestruturadas e se envolveram com drogas.
Inaugurado em julho de 2004, o Educandário de Londrina já passou por fases conturbadas. Com uma série de problemas estruturais, precisou de uma ampla reforma e teve uma ''segunda inauguração'' em abril de 2005. Também aconteceram rebeliões e fugas, mas, atualmente, como diz Emerson Márcio Rodrigues, diretor interino do Educandário, ''o clima é de tranquilidade.''
Os centros de sócio-educação existem para cumprir o que manda o Artigo 122 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que estabelece, em seus incisos I e II, que a medida de internação só poderá ser aplicada quando ''tratar-se de ato infracional cometido mediante grave ameaça ou violência à pessoa e por reiteração no cometimento de outras infrações graves''.
Ou seja, ali estão jovens, alguns ainda com rosto de meninos, que, em algum momento, envolveram-se com o crime e cometeram delitos graves. O ECA também diz, em outras palavras, que tudo deve ser feito no período de internação, para que esses adolescentes voltem para a liberdade em, no máximo, três anos, prontos para não reincidirem. Esse é mais um ponto comum nos depoimentos dos garotos entrevistados: eles repetem, por diversas vezes, que não querem voltar para o crime.
Para preservar a identidade dos meninos, os nomes que você vai ler na sequência dessa matéria são fictícios. Alguns deles são de pequenas cidades do interior do Paraná. Também não citaremos o nome dessas pequenas cidades. No caso daqueles que são de Londrina, evitaremos citar o bairro de origem do adolescente, assim como a descrição detalhada do delito cometido, tudo para garantir o direito constitucional dos garotos de terem suas identidades preservadas.


