O otimismo do mercado e a taxa de juros
O otimismo do mercado e a taxa de juros
Dimitri Eduardo Abudi
e Daniel Yabe Milanez
O Comitê de Política Monetária (Copom) reúne-se hoje a fim de decidir pela trajetória da taxa de juros básica da economia brasileira. Os negociantes dos mercados de taxas de juros, tanto à vista como futuro, têm apostado firmemente na redução da taxa de juros, dado que ela está estável em 19% ao ano desde setembro do ano passado, e a divulgação dos últimos índices inflacionários mostra que a economia ainda não está aquecida no País. Além disso, eles se apóiam na esperança do crescimento das exportações, na evolução do ajuste fiscal, e principalmente na volta da confiança externa sobre os países emergentes.
Aliás, dentre os países latinos emergentes, o Brasil voltou a ser o maior destaque, superando o México, que sofre com riscos sistêmicos no curto prazo, oriundos das eleições presidenciais e dos problemas do sistema bancário. Outro fator que reforça o otimismo é a flutuação da cotação de dólar, que se tem mantido entre R$ 1,75 e R$ 1,80, e mostra que o fluxo de capitais ainda está do lado positivo. Há quem afirme que pode melhorar ainda mais, em virtude da contínua melhora na percepção de risco do mercado internacional com relação ao Brasil.
Entretanto, a condução da política monetária não pode deixar de ser cautelosa e deve primar pelo bom senso. Apesar de os fundamentos econômicos, ao menos boa parte deles, serem favoráveis à redução da taxa de juros básica da economia, o Copom deve levar em consideração os aspectos negativos que a diminuição da taxa de juros poderia trazer.
Além do óbvio perigo inflacionário para o Brasil, há de se pesar ainda a tendência das taxas de juros no mercado internacional. O medo da inflação também contamina outros mercados, como o americano e o europeu, e os Bancos Centrais parecem bastante dispostos a aumentar, se necessário, suas taxas de juros a fim de evitar índices inflacionários significativos.
Elevações das taxas de juros desses países tornariam menos atrativas aplicações no Brasil, já que os investidores vão preferir alocar maior parte de seus recursos em títulos americanos e europeus, com risco muito menor. Isto poderia significar uma inversão de sinal no fluxo de capitais, hoje positivo para nossa economia.
Há de se considerar ainda que uma taxa nominal de 19% ao ano em um país com inflação anual de 7% não é um exagero, considerando as condições dos outros países emergentes e mesmo a local, que até há pouco tempo operava com taxas de juros reais superiores a 25%.
Assim, apesar de todos os fundamentos econômicos apontarem para uma provável redução da taxa de juros básica da economia, parece este não ser o caminho mais prudente.
Se o Copom mantiver os juros estáveis em 19%, manterá uma boa posição do Brasil no cenário externo, além de reduzir as probabilidades do surgimento de problemas na condução de suas políticas monetária e fiscal.
O fluxo de capitais tem uma boa chance de manter-se positivo, endossando uma apreciação ainda maior do real; o reaquecimento econômico interno tende a continuar sob controle, e as metas trimestrais de inflação podem ser alcançadas com mais facilidade.
Mudar a tendência da taxa de juros agora seria uma atitude de otimismo desnecessária, e as experiências passadas do próprio BC parecem não indicar que este seja o melhor caminho.
- DIMITRI EDUARDO ABUDI e DANIEL YABE MILANEZ são consultores de finanças e investimentos em Londrina
e-mail: [email protected]





