A atual conjuntura política, econômica e social brasileira expõe a fragilidade de um país pautado desde seus primórdios por um assistencialismo às classes dominantes. O nascimento do Brasil fundiu-se com o abastecimento europeu, nada mais que um "supermercado" português, fonte para seu sustento e desenvolvimento.
Nesse processo uniram-se raças, povos e culturas, assim, nos tornamos brasileiros. Criamos o nosso "jeitinho", tiramos o nosso proveito, exploramos quem não deveria ser explorado, tomamos o que não era nosso, usurpamos de nós mesmos e de nossos semelhantes, nos tornamos gigantes pela própria natureza e pela opressão exercida por parte dos mais abastados.

Hoje pouca coisa mudou. Soubemos manter os mesmos dilemas. Quem deveria ajudar o povo, ajuda a si mesmo, aqueles que deveriam representar os mais desfavorecidos socialmente, representam a si mesmos, representam suas proles, seus aliados e suas alianças, representam seus mais íntimos interesses. E pensar que nós os elegemos, nós os legitimamos.

A greve dos caminhoneiros demonstra o quão unidos "não somos", pois, é nesses momentos de crise que observamos erguer-se oportunistas de toda natureza, ou seja, aqueles que se aproveitam da situação, almejam lucros estratosféricos onde haveria de existir compadecimento ao seu semelhante, assim..., "aumentam o preço das batatas". Abastecem-se da oportunidade do lucro perante os mais fragilizados socialmente e economicamente, deste modo, são os pobres que pagam as contas. Essa busca por lucros é algo tão natural aos grandes empresários, industriais, detentores do capital, dos meios e fins produtivos nacionais que de certa forma se espalha por toda a sociedade afligindo seu povo, atinge todos os setores, nada escapa de ferocidade capitalista.

Toda essa situação não é apenas de corrida por combustível ou por alimento, trata-se de união. É preciso refletir sobre o nosso viver na sociedade brasileira, pensar nossa formação política, econômica, cultural e social, buscar soluções para nossos problemas, buscarmos a total união e lutar contra esses "podres poderes" (alusão proposital da música de Caetano Veloso de 1984, temática mais que atual) que deliberamos a cada eleição.

A copa do mundo começou, é um evento grandioso, importante, que possui contextos históricos dignos de análises, muito além do quesito entretenimento para um país como o Brasil temperado a carnaval, futebol e samba. No entanto, é preciso que a copa do mundo não seja instrumento de pão e circo, não seja um remédio de esquecimento da realidade, um antidepressivo que nos dê alegria, pois, após o apito final a realidade será a mesma: o desemprego, a inflação, a violência, a corrupção, a escassez, entre tantas outras doenças sociais que enfrentamos historicamente e "estarão comemorando a vitória da nossa seleção de futebol" (ou não).

É necessário mencionar que estamos em ano eleitoral, temos eleições para presidente, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais, portanto, a oportunidade de tentarmos a tão sonhada mudança da nossa realidade. Por fim, o futuro é uma incógnita, independente do que aconteça... "Ainda temos orgulho de sermos brasileiros?" É preciso tal reflexão. E com orgulho não esquecermos: Somos brasileiros e não desistimos nunca.

MÁRCIO ROBERTO VIEIRA RAMOS - mestre em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Londrina

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