O oráculo de Soros
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 19 de setembro de 2001
Miguel Ignatios 
Na Grécia antiga, às vésperas de grandes acontecimentos, governantes e generais costumavam consultar o oráculo de Delfos para tentar decifrar fatos que iriam se desenrolar no futuro imediato, tais como: resultados de batalhas e guerras, alianças políticas e mortes de reis e de tiranos. Nos tempos modernos, os oráculos cederam lugar a conselhos de segurança. É impossível comparar o índice de acerto de ambos (oráculos e conselhos), já que os primeiros foram sumariamente ''aposentados'' e os outros são em número tão grande que desencorajam quaisquer historiadores ou cientistas sociais a cotejar seus acertos e erros.
Mesmo após terem consultado os oráculos, os generais gregos, quando partiam para as guerras, não tinham certeza de que as coisas iriam acontecer exatamente de acordo com as previsões feitas. Por tal motivo, tratavam de traçar e de passar a seus comandados as táticas mais eficazes, conforme as características de cada batalha que iam travando com os inimigos. Mais presunçosos do que seus ancestrais, os generais contemporâneos crêem totalmente nas simulações de cenários possíveis nas guerras modernas.
Isso ficou de tal forma claro nos ataques terroristas, cometidos contra Nova York e Washington, no fatídico 11 de setembro, que até hoje estamos todos - americanos e o resto do mundo - perplexos. E continuaremos perplexos por um bom tempo ainda. Imagine o leitor que nem o poderoso Conselho de Segurança dos EUA, nem os generais do Pentágono, nem o FBI e nem a legendária CIA haviam previsto a possibilidade de um ataque terrorista, da forma como foi feito, usando-se como armas apenas facas e como meios pacíficos aviões comerciais!
Em vez disso, no melhor estilo dos filmes de ação e de catástrofes, os defensores do complexo industrial-militar americano preferiram imaginar um ataque de mísseis intercontinentais com ogivas nucleares. Novamente a realidade superou - e muito além do que poderíamos imaginar - a ficção!
Depois do inimaginável ataque terrorista a Nova York e a Washington, três pontos tornaram-se rapidamente consensuais entre analistas internacionais: esse episódio marcou o início efetivo e emblemático do século 21; o mundo nunca mais será o mesmo de antes dos atentados; e, por último, mas não menos importante, o processo de globalização terá de ser revisto.
A pergunta que agora deve estar na cabeça de todos é o que o Brasil deve fazer enquanto espera a previsível recessão econômica americana, puxada pela aviação comercial e os setores de turismo de negócios e hotelaria, e as represálias aos ataques terroristas?
A resposta é simples e pode até parecer óbvia: o governo brasileiro precisa aproveitar os últimos três meses de 2001 para preparar a retomada do crescimento econômico já a partir de 2002. De que forma isso poderá ser conseguido? Retomando-se a política de redução da taxa de juro básica e diminuindo-se os impostos que incidem sobre o setor produtivo e as exportações. Em outras palavras, dando-se prioridade ao nosso imenso mercado interno, sem esquecer as exportações; e à política de gerar empregos.
Retomado o crescimento, em 2002, o governo Fernando Henrique Cardoso estará em plenas condições de comandar, com tranquilidade, o processo eleitoral. Não sem antes, do mesmo modo como faziam os governantes gregos, consultar os oráculos, não mais o de Delfos, mas o de Soros - o megainvestidor húngaro, George Soros, radicado em Nova York, e detentor de uma das maiores carteiras mundiais de ações e títulos de países emergentes.
Por sorte e feliz coincidência, temos, aqui, no Brasil, um dos maiores especialistas mundiais em decifrar as mensagens do ''oráculo'' de Soros. Trata-se do presidente do Banco Central, Armínio Fraga.
- MIGUEL IGNATIOS é presidente da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB) e da Fundação Brasileira de Marketing (FBM).


