''O óleo é bastante tóxico'', lembra médica
Curitiba O óleo cru que vazou nos Rios Iguaçu e Barigui é rico em hidrocarboneto aromático e contém metais pesados que podem causar vários problemas ao meio ambiente e ao homem. Quem explica é a médica-veterinária coordenadora do Laboratório de Toxicologia Ambiental, do Departamento de Farmacologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Helena Cristina da Silva de Assis. ''O óleo é bastante tóxico'', complementa a médica.
Ela esclarece que há dois tipos de intoxicação provocada por esse tipo de óleo: uma aguda e outra crônica. Alguns sintomas da primeira, como dificuldades de respiração e náuseas, podem ser sentidos já nas primeiras horas depois da exposição ao produto. Já a segunda depende da sensibilidade do indivídio e do tempo de exposição ao óleo. Pode ocorrer, segundo a médica, até nos próximos 10 ou 20 anos depois do contato. Os sintomas variam desde complicações hepáticas, problemas imunológicos e o desenvolvimento de câncer.
''Mas como pode demorar para esses efeitos ocorrerem, é difícil correlacionar a causa ao sintoma'', observa a médica, complementando que a situação vai depender muito da sensibilidade do indivíduo. Para fazer a ligação entre os sintomas que o indivíduo apresenta com a sua exposição ao produto tóxico, a médica diz ser necessário uma análise química do sangue ''para ver se há resíduos de hidrocarboneto ou metal pesado''.
Não é só o homem que sente os efeitos da exposição ao óleo cru. A água, a flora e a fauna também sofrem as consequências. Na época do acidente, por exemplo, foi constatada a morte de 180 animais e outros 70 foram afetados. Segundo a professora da UFPR, a região do vazamento não apresentava muitos peixes porque a água já apresentava algum tipo de contaminação. ''O problema é o sedimento (o ''solo'' e as margens do rio), que absorvem por mais tempo o produto'', diz Helena. ''Por isso é preciso um monitoramento constante na região.''
A Petrobras informou que esse monitoramento é realizado, inclusive com avaliação periódica dos resultados. De acordo com determinação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) a empresa deve continuar a recuperação e os estudos da área atingida até 2005. (K.M.)





