O observador oculto nas lojas
É bom para as lojas colocar observadores ocultos, fazendo as vezes de clientes em seus estabelecimentos, uma fórmula adotada em Londrina e que foi objeto de notícia neste Jornal. A função desse olheiro é verificar detalhes como atendimento aos clientes, disposição das mercadorias, higiene do ambiente, iluminação e outros detalhes. Em jornalismo e outras atividades dá-se a esse agente o nome de ombudsman, que não é muito apreciado pelo pessoal e nem pelas chefias setoriais - porque subordinado diretamente à gerência - mas presta relevante serviço.
É importante que as empresas, por meio do observador oculto, visem melhorar o padrão de qualidade, mas há pontos não muito observados e que são razão de críticas da clientela. Um deles a venda em prestações quando, em certas lojas, não têm o correspondente preço à vista, porque a alegação - em que os fregueses não acreditam - é que o valor em parcelas é o mesmo do preço à vista. Muitas empresas, quando têm sua própria financeira, auferem boa fatia de renda no juro das vendas a prazo, por isso preferem esse sistema porque lucram duplamente: na natural porcentagem de ganho e no juro embutido nas prestações, sempre acima do índice da inflação. A freguesia compra, porque precisa da mercadoria e é atraída pelas cotas favoráveis e dentro do seu orçamento, mas é certo que endividando-se por muitos meses deixa de adquirir alguns outros produtos no período. O sistema da compra a prazo é vantajoso se os juros são baixos e o bem adquirido não é onerado em metade de seu valor original ou quase o dobro.
No Brasil a inflação é civilizada e está na faixa dos países mais desenvolvidos, mas os juros operados pelos bancos, outras instituições financeiras e operadoras de cartões de crédito, comércio e empresas no geral, é ainda o dos tempos da inflação alta. Essa cultura continua operante, quando já devia não existir. Nos Estados Unidos, por exemplo, quem faz um empréstimo paga juros regulares de 3% a 4% ao ano, quando no Brasil eles giram em torno de 90% no período e muito acima disso no caso de pagamento atrasado do cartão de crédito. O cliente oculto é uma boa medida, mas o cliente explícito seria um conselheiro ainda melhor, e este não é muito ouvido.





