O novo sentido do turismo nacional
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 07 de agosto de 1997
Alex Canziani 
Normalmente quando se fala em turismo imaginamos belas cachoeiras, uma boa praia e atraentes recantos ecológicos. Porém, essa imagem, até então intocada em nossas mentes, começa a ser quebrada em função das novas necessidades. As dificuldades econômicas pelas quais passamos no Brasil, por exemplo, nos obriga a achar novos caminhos de desenvolvimento. A expressão turismo, portanto, ganhou novos rumos, além daqueles.
Já faz algum tempo o mundo absorve várias modalidades de turismo. Podemos ver, lá fora, além do turismo ecológico, o turismo rural, o turismo gastronômico, o turismo de lazer e entretenimento e, acima de tudo, o turismo de eventos e de negócios. São segmentos que geram trilhões de dólares todos os anos e oferecem milhões de empregos.
Aqui no Brasil o turismo de eventos e de negócios chegou depois dos países mais desenvolvidos, e começa a ganhar força sobretudo nos grandes centros econômicos do país, mas se juntarmos tudo o que se pode explorar do ponto de vista turístico, ainda estamos longe de chegar perto de nações como os Estados Unidos, onde só na região de Orlando, no ano de 1995, foram registrados 36 milhões de visitantes, dos quais 3,2 milhões estrangeiros. Nós, brasileiros, chegamos a receber no mesmo período apenas 1,7 milhão de pessoas. Veja bem: uma pequena região norte-americana conseguiu atrair muito mais gente do que um país como o nosso, com dimensões continentais.
E mais: o Centro de Convenções de Orlando (Orlando/Orange County Convention & Visitors Bureau, Inc.), por exemplo, já tem reservas feitas para eventos a ser realizados em 2015! Coisas de outro mundo...
O turismo já é reconhecido como o grande e moderno vetor econômico em todo o planeta. É o segmento que mais cresce no mundo, o que mais paga impostos e o que mais emprega. O mercado turístico mundial beira os 600 milhões de turistas - a maior fatia fica com a Europa, que arrebata 59% desse número. Em todo o mundo, segundo a Organização Mundial de Turismo (OMT), são 265 milhões de empregos e uma receita de US$ 3 trilhões, que deve triplicar em cinco anos.
De acordo com os dados do Sebrae, 20% do turismo mundial fica com as Américas. Desse índice, a América do Sul absorve 14 milhões de turistas anualmente, sendo que o Brasil ocupa um modesto nono lugar, depois do Peru, Argentina e do Chile.
Se a política para o setor for bem direcionada no Brasil, onde se faturou só US$ 45 bilhões em 95 (55% de turistas estrangeiros), esse segmento pode gerar inúmeras riquezas, incentivar a macroeconomia e incrementar pelo menos cinquenta outros negócios paralelos, entre micro e pequenas empresas. Vão aparecer novas oportunidades de negócios e aumentará a circulação de dinheiro, além de estimular o investimento local e melhorar a qualidade de vida da população.
Dentro de todo esse contexto, a atual administração municipal está preparando Londrina para absorver uma parcela desse mercado. Pode não parecer, mas a região tem um excelente potencial a ser desenvolvido, especialmente nos segmentos de turismo rural, de entretenimento, gastronômico e de negócios.
A Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel), agora com a pasta de Turismo, realiza um amplo estudo das potencialidades turísticas locais, pois sabe que o turismo estimula e atrai outros tipos de investimentos, inclusive pequenas, médias e grandes indústrias.
Na Codel já realizamos, entre outros projetos deste ano, o Fórum de Turismo, iniciamos o projeto para a criação do Conselho e do Fundo Municipal de Turismo, co-promovemos o Carnaval de Rua e a Festa dos Distritos, iniciamos o plano para o incentivo ao turismo rural e apoiamos a instalação do Infopoint, com informações turísticas de Londrina.
Recentemente firmamos um importante convênio com o Sebrae para a elaboração de um Plano de Desenvolvimento do Turismo em Londrina, e realizamos, com extremo sucesso, o projeto Conheça Londrina nas Férias: durante os finais de semana de julho cerca de 1.100 pessoas - entre turistas locais e de fora - passearam por 47 pontos turísticos da região urbana da cidade, todos acompanhados por 20 guias formados pelo Senac.
A maioria demonstrou avidez por conhecer Londrina. Para tanto, colocamos à disposição 19 veículos para realizar 130 viagens no período. Vale lembrar que esses veículos, todos novos e seminovos, pertencem aos profissionais que, todos os dias, transportam nossas crianças até as escolas. Isso demonstra que todos estão a fim de colaborar para o progresso da cidade...
Por outro lado, é gratificante ver os trabalhos turísticos da Codel ser reconhecidos pela comunidade. Isso dá força para outros projetos e programas que também estão para acontecer. Com bastante intensidade estamos procurando colocar Londrina no mapa do turismo nacional, certos de que a opinião pública nos dará todo o apoio.


