O novo poder de Londrina
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 22 de agosto de 1997
Paulo Ferreira Muniz 
Numa recente viagem a São Paulo, um grupo de empresários crivou-me de indagações a respeito de um fenômeno que vem acontecendo em Londrina: a frequente realização de eventos, em todas as áreas - da informática ao frango, da medicina à moda e por aí a fora. Por quê se faz eventos em Londrina? Procurei responder à altura, enumerando argumentos que considero importantes. Na volta, debrucei-me na compilação desses alguns fatores, e por eles terem-se revelado tão substanciosos - e também porque geralmente isso tudo não é conhecimento geral - gostaria de compartilhá-los com a comunidade, apresentando um rápido retrato atual da cidade, justificando sua nova força.
De modo geral, uma das razões das empresas estarem procurando a interiorização para suas promoções, é que os convencionais, quando no interior, aumentam o convívio entre si e, por conseguinte, ampliam sua produtividade nos eventos. Ficando mais próximos e mais tempo reunidos, alcançam melhor e mais rapidamente o objetivo da promoção, acabam se inteirando mais das realidades regionais e, simultaneamente, ampliam a faixa de intercâmbio de suas próprias experiências. Eles se entrelaçam e aproveitam melhor. Em centros como Rio e São Paulo, como há multiplicidade de interesses, os convencionais naturalmente acabam se dispersando.
No caso de Londrina, a promoção de eventos em nossa cidade tem sido incrementada sobretudo nos últimos cinco anos. Faz-se eventos em Londrina porque a cidade possui equipamentos de alto nível, a custo muito inferior ao de outros grandes e médios centros brasileiros; porque a qualidade de vida da cidade é muito boa; porque existe infra-estrutura hoteleira/hospedagem/gastronômica/de lazer de ótimo nível; porque o transporte é acessível, as distâncias internas são menores; os sistemas de segurança/comunicação/saúde-hospitalar, de serviços/comercial industrial são bastante desenvolvidos e capazes de resguardar o sucesso dos eventos.
Fazer promoções de encontros, seminários, congressos, reuniões em Londrina já é uma orientação que os especialistas da área, em todo o Brasil, oferecem aos interessados como alternativa ideal, mais viável economicamente. A cidade está ligada diretamente com as principais e as mais diversas capitais por ar e terra, através da operação das maiores companhias do setor. Por via aérea, Londrina conta até com vôo internacional para os Estados Unidos. Geograficamente, está a meio caminho de todos os maiores centros, inclusive com relação ao Mercosul.
A cidade possui uma ótima estrutura em diversos setores, disponível para a população de quase 600 mil habitantes, e para os cerca de 4,5 milhões de habitantes da sua região de influência econômica (Norte, Noroeste, Centro do Paraná, além de comunidades vizinhas do Estado de São Paulo, cuja divisa está a 80 quilômetros). Londrina é centro médico de excelência, com 14 hospitais e 52 postos de atendimento, e ainda conta com o Siate (Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma e Emergência), um excelente serviço médico emergencial gratuito. Os estabelecimentos comerciais são em número de 9.800; os de serviço 6.800 e os industriais 2.244, segundo a Codel (Companhia de Desenvolvimento de Londrina).
Pólo estudantil de grandes atrativos - são 100 mil alunos de 1º e 2º graus - Londrina mantém, no 3º grau, cerca de 11 mil estudantes de graduação e pós-graduação (especialização, mestrado e doutoramento) apenas na Universidade Estadual de Londrina, que tem 25 anos. Em junho, Londrina ganhou a sua segunda universidade - a Unopar. Também estão em funcionamento outras duas faculdades particulares. O vestibular deste mês de julho trouxe à cidade quase 12 mil pessoas, que gastaram quase R$ 3,8 milhões.
Despertada nos anos 30 pelo café, que lhe rendeu o título de Capital Mundial - cultura que agora está sendo retomada, com a moderna tecnologia do adensamento e do superadensamento - Londrina se representa por forte agropecuária, que cresceu 75% entre 1996 e 1997. É sede de todas as raças bovinas do mundo, e caminha hoje para ser pólo tecnológico, através de inúmeras instituições de pesquisa. Nesta área, atuam fortemente o Instituto Agronômico do Paraná, o Centro Nacional de Pesquisa da Soja, da Embrapa, a Universidade Estadual de Londrina e outros organismos. Anualmente, a cinquentenária Sociedade Rural do Paraná realiza a sua Exposição Agropecuária e Industrial, que tem tradição nacional e também caráter internacional.
A estrutura de segurança, de transporte urbano e sistema viário é moderna e contempla a população dos melhores serviços. Na área de comunicações, existem em operação cerca de 100 mil telefones, o que projeta a média superior a 1 aparelho para cada grupo de 4 habitantes, a maior média brasileira. A Sercomtel (Serviço de Telecomunicações de Londrina) é invejada em todo o País por sua alta tecnologia. Existem na cidade 18 emissoras de rádio, 5 estações geradoras-retransmissoras de televisão, dois jornais diários - um deles, esta Folha de Londrina, é o único jornal em todo o mundo a receber a certificação de qualidade através do ISO-9002.
Nos últimos três anos, a iniciativa pública investiu mais de R$ 10 milhões em incubadoras de microempresas, que hoje apresentam resultados surpreendentes. Programas mistos de junção privada e oficial como o Programa Paraná-Europa, constituído por empresas brasileiras e italianas, mostram amplas possibilidades de intercâmbio tecnológico (e também financeiros, vindos da Itália) entre os dois países. Na esteira dessas iniciativas, não se pode esquecer o trabalho de 60 anos da Acil (Associação Comercial e Industrial), cuja notória eficiência e modernidade também atravessa fronteiras.
Assim é Londrina. Este é o seu retrato. Na área da promoção de eventos, este é o seu novo poder.


