Episódios como o do mensalão (que acabou em pizza); o dos Correios (que teve uma CPI frouxa com resultado pífio); a criminosa violação de sigilos (que desmoralizou a Receita Federal) e, nas últimas semanas, o vergonhoso escândalo liderado na Casa Civil, mexem até com a autoestima dos brasileiros. Mais do que isso, produzem efeitos que chegam a extinguir paradigmas que permeiam alguns setores do serviço público.

Exemplo? Fica decretado, agora, com novo escândalo, que aquela máxima de que a burocracia estatal ''cria dificuldades para vender facilidades'', não é máxima, é fichinha, certo? Está superada. Depois do balcão de negócios da Casa Civil, o verdadeiro negócio é criar facilidades e vendê-las a um bom preço previamente fixado em negociata com empresários coniventes. O nome desse novo negócio, muito ousado - e bem respaldado -, pode ser aquele dado por Erenice e sua turma: ''Taxa de Sucesso''. Sim, porque a corrupção institucionalizada dá nome à sua criação.

Pensando bem, para quê criar dificuldade e depois vender facilidades se você pode encurtar o caminho e oferecer logo as facilidades com percentual de propina bem definido, no caso 6%. Como se vê a corrupção se tornou também pró-ativa.

Mas a revista Veja, de ontem, para provocar mais a raiva aos brasileiros (que pensam) fez o favor de trazer mais uma etapa de suas denúncias denomianadas ''Governo do Polvo'' . Sob o título ''Alegria do Polvo'' a revista destaca a frase de um assessor da Casa Civil ao deparar com a gaveta cheia de dinheiro. Teria dito o agora ex-funcionário Vinícios Castro: ''Caraca! Que dinheiro é esse?''. Foi a reação mais extraordinária que derrubou Erenice Guerra. O valor de 200 mil reais teria sido um modesto ''presentinho'' da turma responsável pela usina de corrupção que operava, segundo Veja, no coração do governo Lula. Era a partilha do filho de Erenice. Veja frisa muito que o escritório do advogado da Casa Civil se situa no andar de cima do gabinete do Presidente. Mas, atenção, nem ele, nem Dilma nada sabiam.

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