A decisão do PT de lançar candidato próprio a governador é, por enquanto, o único fato novo na disputa eleitoral deste ano, no Paraná. A novidade está na consistência ideológica e programática da candidatura, que a credencia a ser oposição ‘‘de fato’’ ao grupo político que se instalou no Palácio Iguaçu.
Não somos donos de nenhuma verdade histórica, mas quem mais, no atual quadro eleitoral, pode propor que a sociedade assuma o papel de co-gestora do estado? Quem mais pode se comprometer com a inversão de prioridades nas políticas públicas? Quem mais pode assumir, como meta de governo, a promoção dos valores da solidariedade e da cidadania, em contraposição aos valores predominantes do individualismo e da mercantilização das relações humanas?
As diferenças de uma candidatura de esquerda em relação às forças tradicionais da política paranaense ficam ainda mais claras quando se fala de propostas. Queremos adotar políticas que confrontem a insensibilidade e a falta de lisura e transparência do atual governo. Por isso, estamos debatendo em todas as regiões, com vários segmentos da população, uma série de 13 propostas, que esperamos ser a base de um Paraná mais justo, humano e radicalmente democrático. São elas:
1º - gestão democrática do Estado, com a participação da sociedade organizada na elaboração e fiscalização das políticas de governo, e a consequente instituição de esferas de caráter público e não-estatal, cujo principal exemplo é o orçamento participativo.
2º - implantação de um política municipalista, que descentralize o governo e valorize as iniciativas locais em todos os setores.
3º - desenvolvimento econômico e social equilibrado, com recursos voltados para todas as regiões.
4º - implantação de programas de renda mínima, como a bolsa-escola, que vai garantir uma renda mensal para as famílias carentes que mantiverem os filhos menores na escola.
5º - revisão dos contratos de concessão das rodovias, dos acordos com as montadoras multinacionais e do processo de privatização do Banestado.
6º - nova política industrial, que priorize a produção de alimentos básicos e tenha compromisso com a reforma agrária no Estado.
8º - nova política para a educação, que universalize o ensino público, gratuito e de qualidade.
9º - nova política cultural, calcada em três pontos: promoção, em todas as ações do governo, dos valores da solidariedade e da cidadania; garantia de acesso a toda a população, principalmente a menos favorecida, à produção e ao consumo dos bens culturais; valorização das manifestações culturais, populares e eruditas, de todas as regiões do Estado.
10º - nova política para a saúde, com ênfase nas práticas preventivas e na prestação de serviços de qualidade.
11º - nova política de segurança pública, preventiva, descentralizada e comunitária.
12º - defesa das empresas estatais e do patrimônio público.
13º - valorização do serviço e do funcionalismo público.
Como se vê, a candidatura do Partido dos Trabalhadores, que será definida em prévia amanhã, ocupará uma espaço político e ideológico ainda não ocupado pelas demais forças políticas. Isso não significa que estamos fechados à composição de alianças. Apenas queremos estabelecer parâmetros para que ela se realize. Esse parâmetros são, hoje, a elaboração de um programa de governo baseado nas propostas acima e, claro, o apoio à candidatura Lula.
Todos que quiserem construir o novo na política paranaense serão bem-vindos. Quem ganha com isso, é principalmente, o povo do Paraná.

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