O verão está indo embora. Leva com ele a lembrança de momentos inesquecíveis de lazer e o fascínio das férias. A vida volta à rotina normal. Para a maioria dos setores da economia isso representa a retomada de um ritmo mais forte nos negócios. Para o turismo, porém, é o começo da baixa estação. O desaquecimento sazonal do setor exige a contrapartida da ousadia. É nessa hora que as empresas precisam estar alerta, buscar espaços no mercado, descobrir nichos, colocar as estratégias de marketing em prática, investir, formar novas parcerias e aprimorar cada vez mais seus serviços, agregando-lhes diferenciais de qualidade e atendimento aos clientes.
A Embratur é um exemplo desse desafio. A Empresa Brasileira de Turismo, de olho na baixa estação - que começa em março e vai até junho está lançando a campanha ‘‘Viva o seu país. É o seu Brasil brasileiro’’. A Embratur vai gastar R$ 700 mil na divulgação de roteiros, objetivando estimular o turismo interno. Os pacotes cheios de benefícios visam manter aquecido e fortalecer o setor nesses meses tradicionalmente fracos, com descontos que chegam a 60%.
Passagens aéreas mais baratas, com decontos de 30% a 60%, preços reduzidos pela metade nas tarifas de locação de carros, diárias de hotéis mais em conta, enfim, um arsenal de vantagens para estimular não só o turismo interno, mas também atrair visitantes do exterior. Afinal, só a América Latina possui 15 milhões de turistas em potencial.
Boa parte do mundo já descobriu que o turismo é uma mina de ouro. Segundo dados, movimentam 3,4 trilhões de dólares ao ano, mais do que a fabricação de armas, a produção de automóveis ou a exploração de petróleo. O Brasil, que não pode mais perder tempo, detém apenas 0,05% deste filão.
A Embratur deu a largada. A Abla (Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis) deu sinal verde para proposta e pretende manter 70% da frota de 80 mil carros alugados durante todo o ano. As empresas de cartão de crédito também estão apostando na idéia, reduzindo os custos dos financiamentos. E a Abih (Associação Brasileira da Indústria Hoteleira) quer elevar a média de ocupação dos hotéis em algumas cidades, que chegam a 42% neste período, para 65%, patamar alcançado em Nova York durante todo o ano.
Preços competitivos, alianças firmadas. Este pode ser um caminho para tirar o Brasil do fim da fila dos países que menos recebem turistas estrangeiros no mundo: apenas 2 milhões de visitantes desembarcam anualmente no nosso país. Por outro lado, 3,1 milhões de brasileiros preferem passar as férias no exterior. Nosso país ocupa o 42º lugar no ranking mundial do setor, ficando atrás até mesmo de Bahrein, Taiwan e Uruguai.
Incentivar o turismo é fundamental. Além da geração de empregos diretos e indiretos em larga escala, o setor é um dos que mais impulsionam o crescimento econômico. Portanto, é muito importante a iniciativa da Embratur, que deve mesmo contar com o apoio de todos os segmentos ligados ao turismo, do poder público e da sociedade brasileira. Não é exagero algum ressaltar que o fomento do turismo é um dos requisitos mais decisivos para o desenvolvimento brasileiro. Esta afirmação é atestada pela própria História, a História das Ilhas do Caribe, que nada devem hoje ao primeiro mundo em termos de infra-estrutura e qualidade de vida; a História de Cancun; e a História da Espanha, que embora pertença à industrializada e desenvolvida União Européia, faz do turismo a sua principal fonte de divisas e mais importante atividade econômica, alimentada anualmente pela presença de 60 milhões de visitantes estrangeiros.

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