Uma revolução mundial vem sendo anunciada por futurólogos há alguns anos. O que parecia só teoria sem aplicação prática na vida das pessoas, tem se mostrado mais real e presente a cada dia. Falamos da economia compartilhada. Um movimento facilitado pelo avanço da tecnologia com sua infinita capacidade de conectar interesses comuns. Aplicativos criam negócios lucrativos com base na colaboração: quartos desocupados viram fonte de renda. Carros parados na garagem viram fonte de ocupação para centenas de pessoas graças a plataformas colaborativas. Esta não é uma utopia social como idealizavam os hippies dos anos 60 e 70. Uma revolução disruptiva está em curso. Com total quebra de paradigmas. Inverte a ordem econômica como conhecemos desde a Revolução Industrial. Um dos defensores deste movimento é o economista e professor da Wharton University, Jeremy Rifkin, em seu livro "Sociedade com Custo Marginal Zero". Para ele, "estamos testemunhando o surgimento de uma economia híbrida. Uma parte é uma economia de mercado capitalista e a outra é uma economia compartilhada". E para contrapor os céticos, Rifkin argumenta que, em um mundo em que mais coisas são potencialmente gratuitas e compartilháveis, o capital social torna-se mais importante do que o capital financeiro.
A realidade é que o mundo está mudando. E rapidamente. Buscar alternativas aos modelos de negócio tradicionais move a revolução social em curso e afeta a economia global de uma maneira positiva porque pressupõe menor concentração de renda e mais igualdade social, como contraponto ao mundo insustentável que construímos. O arcabouço tecnológico atual apoia esta mudança e conecta pessoas e interesses comuns, dando a elas poder e independência. E as novas gerações já encaram a propriedade de bens como menos importante do que o acesso aos serviços.
Nesse cenário as instituições financeiras cooperativistas se destacam. Por não terem fins lucrativos, oferecem produtos e serviços financeiros como os bancos tradicionais, mas com uma visão cooperativa, em que os clientes são vistos como donos do negócio e os resultados são partilhados.
O modelo é resultado da união de quatro pontos de sucesso que tornam o conceito atrativo: social, com a preocupação com a comunidade em que se vive; sustentabilidade, para preservar o ambiente; econômico, com novas propostas financeiras e aumento da flexibilidade para a população; e tecnológico, atrelado as redes sociais, dispositivos e plataformas móveis simplificam a vida dos consumidores.
No mundo todo, existe, aproximadamente, 520 milhões de pessoas associadas às cerca de 90 mil instituições financeiras cooperativas. Isso nos move a comemorar o Dia Internacional do Cooperativismo de Crédito, celebrado desde 1948 sempre na terceira quinta-feira de outubro. Permita-se conhecer também esse movimento cooperativista e junte-se aos mais de 8 milhões de associados brasileiros. De acordo com o Banco Central, são 1,1 mil cooperativas em operação no país com ativos totais de R$ 240 bilhões, representando uma participação de mercado de 2,88% no total de ativos do mercado financeiro e ocupando a 6ª posição no ranking das maiores instituições financeiras do país.
Por tudo isso, com convicção, afirmamos que as instituições financeiras cooperativistas são o braço da economia colaborativa: o cooperado é ao mesmo tempo cliente e dono. Investe seu recurso e recebe o retorno quando o resultado é dividido proporcionalmente à participação de cada um. Tudo com transparência e decidido coletivamente nas assembleias gerais, seguindo regras do Banco Central. Seguindo a lógica da colaboração, mais do que nunca temos razão para acreditar que o nosso negócio muda o mundo.

HENRIQUE CASTILHANO VILARES é pós-graduado em Economia de empresas com ênfase em cooperativismo pela Fundace/FEA-USP

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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