O Natal de 2001
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 21 de dezembro de 2001
Valmor Bolan 
Depois dos tristes acontecimentos de 11 de setembro, é evidente que o Natal deste ano não será como os anteriores. Ainda nas vésperas da entrada do novo milênio, havia toda uma euforia. Ninguém poderia suspeitar que o século 21 começaria tão contundente, e com um impacto tão forte, ainda logo no começo. O que aconteceu em Nova York e em Washington foi grave, gravíssimo. O mundo inteiro ficou mais inseguro, mais apreensivo em relação ao futuro, mais preocupado com o que pode vir pela frente.
Mas não podemos nos deixar dominar pelo desespero. Só mesmo a esperança pode nos reanimar e nos reerguer, e apontar perspectivas possíveis. Temos que aprender a ver coisas positivas, boas realizações que vêm ocorrendo, mobilizações em defesa da vida que vão se consolidando.
Hoje, ao contrário do que se pensa, existe uma forte consciência dos Direitos Humanos, da preservação ambiental, dos valores democráticos, da repulsa aos abusos do poder, à tortura, à corrupção. Muitos clamam por uma ética da vida e não permitem que o fermento da maldade se estenda ainda mais. Para quem conhece um pouco de história e da natureza humana, sabe que o mundo não desapareceu numa hecatombe colossal, porque há ''algo'' que breca, que segura, que impede o triunfo do mal. Essse ''algo'' é a ação de Deus, que se fez presente entre nós, ''verbo feito carne'', há 2001 anos.
Há uma passagem interessante no Antigo Testamento que confirma o quanto Deus é fiel à sua promessa de assegurar a vida para todos. Depois que Caim matou Abel, Deus tomou a iniciativa de ir ao encontro de Caim. ''Que fizeste com teu irmão?'' perguntou. Caim ficou temeroso de que Deus iria dizimá-lo, como castigo pelo que ele havia feito. E a Sagrada Escritura mostra o quanto o Deus da Criação é um Deus dos vivos e não dos mortos, o quanto Ele é Senhor da vida, que quer vida em plenitude. É Deus do perdão e da misericórdia. No relato bíblico lemos que Ele fez um sinal na testa de Caim e disse: ''Ninguém irá matá-lo''. Isso significou que a espécie humana, a despeito do pecado (e tão grande falta contra o Criador) cometido, seria poupada. Ninguém, nenhuma força do mal teria poder suficiente para destruir a humanidade.
O mundo só não acabou e não foi destruído pela maldade humana porque existe o poder de Deus, a ação divina que é ''Emmanuel'' (caminha conosco), a proteger, preservar, salvar. Deus habita o coração das pessoas. Aqueles que estão abertos à Sua graça, evitam que o mal seja praticado e criam assim obstáculo a males maiores. O coração temente a Deus, piedoso e generoso acaba sendo uma espécie de escudo de proteção. Não há como destruir a vida que abriga o Deus da Criação.
Mesmo diante do horror dos últimos acontecimentos, quando vimos do que é capaz a maldade humana; sabemos que é pela ação de Deus que o pior é sempre evitado. Vivemos num mundo com um potencial altamente destrutivo (bombas atômicas, armas bacteriológicas e químicas, etc.), mas ainda há esperança. Há resistência contra o mal. Todos anseiam pela paz. O Natal de 2001 expressa este anseio. Somente a justiça pode expressar esta paz para todos. A paz de Cristo prometida a todos os ''puros de coração''.
- VALMOR BOLAN é diretor-geral da Faculdade Editora Nacional (Faenac), de São Caetano do Sul (SP)
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