O não explicado desejo de vender telefônica
Independente da questão do plebiscito, a indagação que está no ar é por que esse anseio, já revelado e indisfarçável, de vender a Sercomtel Celular e, por extensão, toda a empresa-mãe, que é a companhia telefônica Sercomtel. Da primeira avaliada entre 100 a 150 milhões de reais diz-se que dá prejuízo, mas os cidadãos londrinenses não conhecem com clareza esses números e nem as verdadeiras razões que estariam levando esse segmento a operar no vermelho. Como, ao que parece, não é possível vender a Celular isoladamente, criou-se uma corrente de interesses, em círculos ainda não bem identificados do poder público municipal, colocando num só pacote a empresa inteira. Com o valor calculado em R$ 500 milhões, pelo fluxo da receita, a companhia telefônica municipal converte-se em algo que, simplesmente, pode ser vendido e que está em disponibilidade. A população londrinense, dona da Sercomtel ou da cota majoritária de 55%, porque os 45% restantes pertencem à Copel não pode aceitar que façam da empresa um joguete e a coloquem no cordel à espera de um comprador. A própria Celular, se puder ser desvinculada, não pode ser colocada à venda sem antes saber-se a razão. A simples afirmação de que não dá lucro não autoriza desfazer-se dela. A opinião pública, em plebiscito, já declarou que não quer a venda, então os vereadores nem podem anular essa decisão (a segunda discussão foi retirada de pauta). Se essa ramificação da empresa-tronco deve permanecer ao menos enquanto não se esgotem todas as possibilidades de mantê-la falar-se na venda da Sercomtel soa como uma heresia, porque não há essa necessidade. Lucrativa, sólida e no geral eficiente, tirá-la da esfera da municipalidade é entregá-la, muito provavelmente, a uma multinacional. A acionista Copel terá preferência de compra, mas assim mesmo é deixar escapar do controle do Município uma empresa que hoje estende seus serviços a todo o País. O que se esboça é uma visível ganância de colocar a mão em tanto dinheiro, representado pelo bota-fora de tão rico patrimônio. A Sercomtel é a única telefônica do Brasil regida por administração municipal. No caso específico da Celular, há que saber-se por que a empresa de Londrina dá prejuízo quando os negócios da telefonia se expandem no mundo. Pode ser apenas falha de gestão, sabendo-se que empresas públicas nunca são gerenciadas profissionalmente, portanto sob baixa competência. Uma rigorosa auditoria se faz necessária na Sercomtel Celular, antes de idéias de comercializá-la. Quanto à venda da empresa titular, é algo de que nem se deveria cogitar, mas imagina-se que muitos já devem estar esfregando as mãos de contentamento, como de alguém que espera algo. 1) Por que vender; 2) Onde aplicar o dinheiro dessa venda; são duas perguntas à espera de resposta.





