O incêndio que consumiu o Museu Nacional do Rio de Janeiro, no dia 2 de setembro, trouxe em evidência a manutenção de outros prédios históricos distribuídos por todo o Brasil. Considerado por pesquisadores de vários países como uma das maiores tragédias da história dos museus em qualquer parte do mundo, a destruição do Museu Nacional reforçou ainda mais a fama do brasileiro de ser um povo que pouco se importa com a sua história e, consequentemente, com o futuro.

A perda para a humanidade é irrecuperável e ainda hoje há risco para parte do acervo que sobreviveu ao fogo. Foi esse o alerta de especialistas alemães que visitaram o prédio recentemente. Integrantes de missão emergencial da Unesco, os estrangeiros aconselharam a começar logo o trabalho de restauração, buscando rapidamente os objetos que estão entre os escombros. A cada dia que passa, a recuperação fica mais difícil, pois os objetos estão sujeito a mofo, umidade, chuva e possíveis desabamentos.

A tragédia do dia 2 de setembro chamou a atenção para o Arquivo Nacional, também localizado no Rio de Janeiro e que guarda documentos raros da história do Brasil, como o original da Lei Áurea (1888). É o maior órgão arquivístico do Brasil. Nesta terça-feira (25), o ministro da Justiça, Torquato Jardim e o comandante do Corpo de Bombeiros daquele Estado, Roberto Robadey, vistoriaram o prédio e chegaram a conclusão que não há risco iminente de pegar fogo.

O fato de não haver perigo imediato não significa que o local esteja em condições ideais. O alerta para o Arquivo Nacional foi dado por funcionários da instituição. Há anos eles denunciam más condições das instalações, como falta de alarme de incêndio e hidrantes desativados. O Arquivo tem prazo até março de 2019 para se adequar às exigências dos bombeiros e R$ 7 milhões serão liberados nas próximas semanas para intervenções apontadas como necessárias em 2017 por uma empresa de prevenção de incêndio - assim como o Museu Nacional, ele não tem certificação do Corpo de Bombeiros para funcionar.

O caos com a perda desse grande patrimônio histórico e cultural leva a um sentimento também desesperador: a preocupação com a precariedade da manutenção e segurança de outros museus brasileiros (de vários tamanhos). No dia 2 de setembro, o mundo assistiu a uma tragédia anunciada. Agora, é trabalhar duro para que outros museus não sejam palco de novas catástrofes.

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