O povo de Israel e da Palestina serão ‘‘separados’’ por mais um muro. Tal idéia não merece a confiança do povo, pois tal muro irá separar, apenas, corpos e não as ideologias.
O premiê Ariel Sharon quer, por todas as formas, tirar e banir a nação palestina, simples e humilde, de seus territórios. Sharon converteu-se em herói combatendo os palestinos. Formou um exército rebelde para servir como catalisador de suas decisões pessoais e, também, como um núcleo de infra-estrutural nas funções governamentais.
Mas Sharon não se contenta com as atrocidades cometidas contra o povo palestino. O premiê quer, agora, construir um muro com barreira eletrificada e dotada de sensores capazes de detectar qualquer tipo de movimento em sua cercania.
A construção, pelos israelenses, desse muro separando ‘‘seu’’ país da Cisjordânia é um claro alarme de que não há soluções para resolver o conflito com os palestinos, senão usar de forças militares implacáveis.
O projeto para a construção do muro, inicialmente, será de 350 quilômetros de extensão na fronteira de Israel (Linha Verde), reconhecida internacionalmente. Com tal muro, Israel segue a velha máxima de que o isolamento é a solução.
Inicialmente, o governo israelense gastará US$ 350 milhões com o muro, uma média de US$ 1 milhão por quilômetro. A intenção é cercar ao longo de toda a Cisjordânia. Com tal medida, o governo israelense, Ariel Sharon, deixa de responder às exigências políticas solicitadas.
Foi necessária a crise vinculada ao ‘‘malogro’’ do terrorismo, para que o governo israelense entendesse a necessidade de ceder em favor dos palestinos, o que é um direto adquirido.
A mudança seria uma revolução dentro da revolução. Essa revolução atingiria sua etapa mais construtiva, criar um Estado Palestino Independente. Com a criação de um Estado Palestino, suscitaria o fim do tormento em que esse povo, desprezado e divorciado do resto do mundo, vive. Essa revolução traria a baixo todos os estratos de um povo ‘‘arrogante’’, citado por muitos, e assumiria um caráter democrático-popular, institucionalizando, assim, um povo com identidade.
Portanto, se houvesse acordo consistente haveria colheita com bons frutos, mas com tal muro irão colher frutos precocemente estragados. Há necessidade de implantar pilares democráticos para uma colheita de frutos saudáveis no futuro.
Após os últimos atentados, Israel decidiu reocupar todas as principais cidades da Cisjordânia: Belém, Nablus, Ramallah, Tulkarem, Qalqilya e Jenin. Israel não está levando em consideração que pensamentos não se cercam, mas sim convivem com eles. O que está sendo feito é, simplesmente, separando seres humanos, como se os mesmos fossem animais irracionais.
O que Arafat está fazendo é, nada mais nada menos, proteger seu povo. O referido muro é um monumento que certamente entrará para a história como uma desilusão por parte de quem irá construí-lo.
Exemplo dessa desilusão é representada pelo muro de Adriano com 117,6 quilômetros, que separava a bárbara Caledônia (atual Escócia) do restante da ilha britânica. Outro muro foi o de Berlim. Sua função era impedir a fuga da própria população da antiga Alemanha Oriental. O referido muro era todo cercado e minado, mesmo assim não conseguiram impedir que as pessoas fugissem para o lado Ocidental. Outra obra ‘‘monumental’’ é a muralha chinesa, a maior obra de separação étnica da história da humanidade. Sua construção totaliza 2.600 quilômetros, foi construído ao longo dos séculos, impedindo, assim, ataques de inimigos como os mongóis e os manchus, mesmo assim outros povos invadiram Pequim.
As idéias não são cercadas, mas sim compactuadas. Esperamos que Ariel Sharon não morra com seu próprio veneno.
GILBERTO JORDÃO é professor universitário em Maringá

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