Não mais a FIESP que exerce pressão sobre políticos e governos para alterar as leis ou criar outras que sejam do interesse do mundo empresarial. Reformas e mudanças estão ocorrendo no País e vão se acelerar ainda mais porque os capitais estrangeiros e os acordos com os blocos econômicos passaram a ditar as regras e a estabelecer condições para investimentos e trocas no comércio internacional.
Quebra de monopólios estatais, abertura para concessões públicas, leis de direito intelectual e de proteção contra cartéis decorrem de pressões que vêm dos quatro cantos do mundo. Pode soar estranho para o brasileiro miserável, que não tem o que comer e que, se tem onde morar é precariamente, o fato de não poder se alimentar com uma sopa de tartaruga ou derrubar certas árvores. São impedimentos internos, que refletem as exigências de organismos internacionais preocupados com a preservação do meio ambiente e o futuro do planeta. Dificilmente, hoje em dia, um contrato que seja ou para fechar um negócio ou para obter empréstimos, deixa de incluir cláusulas que condicionam esse tipo de proteção.
É o mundo globalizado, passando a determinar certas ações de governos democráticos que dependem dos capitais mundiais para gerar emprego e renda para seus compatriotas.
Visto dessa forma, fica fácil compreender porque razão uma empresa no sertão do Cariri investiu muito dinheiro para não poluir os minguados riachos da região: foi uma exigência contratual do empréstimo que tomou do Banco Mundial para erguer sua fábrica. De quebra, agregou vantagens competitivas importantes e ganhou pontos aos olhos da comunidade internacional.
É por isso, também, que o senador Antonio Carlos Magalhães afirma que quer e vai conduzir as reformas no Congresso Nacional. Ele sabe que se não levá-las adiante, a Bahia não privatiza a Coelba - Companhia de Energia da Bahia, nem recebe apoio para reformular o Polo Petroquímico naquele Estado. Sem as reformas da previdência, administrativa e fiscal, o dinheiro para novos investimentos não vem e dificilmente os políticos que aí estão vão se reeleger.
Se há atraso na retomada do crescimento econômico, que não deve ultrapassar 4% do PIB, é porque, de alguma forma, a percepção dos agentes externos, cautelosos que só, não foram positivas a ponto de provocar investimentos maciços em infra-estrutura ou em novas plantas industriais no nosso País.
É preciso reconhecer também e fazer uma leitura realista da razão pela qual as remessas de dividendos de empresas multinacionais aqui instaladas foram tão elevadas no primeiro trimestre de 1997, atingindo 2,4 bilhões de dólares, mais que o dobro do ano passado. Se as reformas que estão emperradas no Congresso Nacional tivessem saído, os brasileiros não estariam amargando o crescente desemprego, as multinacionais aqui instaladas estariam reinvestindo seus lucros no Brasil e nós, na Trevisan, não teríamos recebido quase 6 mil jovens que estão concluindo suas faculdades, como candidatos a disputar 53 vagas de trainees disponíveis. Mais de 100 candidatos por vaga!

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