O mundo mudou
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 28 de março de 2003
João Dias Ayres 
O progresso tomou as rédeas e impulsiona, apoiado em avançadas tecnologias, ao tempo em que o pensamento racional procura adaptação nos projetos de desenvolvimento de todos as nações. Há que se levar em conta que sem uma base mínima político-econômica, o avanço que pode ampliar a tecnologia para transpor o ''establishment'' custa a essas nações o sacrifício do bem-estar de suas populações.
Exemplo: países como Angola, riquíssimo em petróleo, pedras preciosas e minérios estratégicos, embalado há muitos anos em lutas intestinas e estéreis por facções que somente disputam o poder tem levado essa nação à fome e à miséria.
Outro aspecto da questão, é o das nações ricas que se instalaram no Oriente (sudeste asiático, Coréia do Sul, Japão inclusive), com know-how de alta tecnologia quer na indústria automobilística como em outros ramos mais especializados em software, robótica, etc., investindo bilhões de dólares. Depois retiraram seus capitais, com lucros astronômicos, conduzindo aqueles países a dificuldades financeiras incalculáveis.
A recomposição de suas economias foi dificílima. Levaram quase uma vintena de anos para uma razoável recuperação. Atualmente seus produtos são de exportação e de qualidade inigualável e em competição podendo como na realidade aconteceu, aqueles países (do sudeste asiático) melhorar o seu PIB, com um per capita compatível com uma qualidade de vida que se equipara ao dos norte-americanos e europeus.
Há, pois, dois contrastes nesses fatos que colocamos para uma simples análise conclusiva. O capital não deve ser apenas colonizador, em que a idéia da lucratividade, predomine, com a exploração de mão-de-obra barata, mas sim colaborador no sentido de levar a um nível social duradouro.
Por outro lado, conceitos ideológicos, principalmente de esquerda que buscam o poder em países como Angola e outros na África e da Oceania, têm levado estes países àquelas condições alarmantes de fome e miséria, e às mais altas taxas de mortalidade infantil, e aos mais altos índices de morbidez por doenças tropicais, além das demais doenças infecciosas, como tuberculose, infecções do grupo tifo, paratifo, e disenteriformes, que se somam às demais endemias típicas como a doença do sono a framboezia tropical, o kalazar, a malaria, a lepra, e agora o Aids (Sida) e dezenas de outras doenças ligadas ao analfabetismo e a ignorância.
Imagine-se que a África, por exemplo, está separada da Europa civilizada apenas pelo Mediterrâneo. Acima a civilização, abaixo, o atraso cultural, na sua forma mais degradante. Até quando as nações mais ricas que formam o grupo dos 7, permanecerá incessível às necessidades tão básicas com a ignorância gerada por tabus religiosos, incompatíveis com os meios de divulgação que podem ser proporcionados por programas se saúde e educação, tendo em vista as riquezas latentes em nações como Nigéria, Angola e África do Sul?
JOÃO DIAS AYRES é médico em Londrina


