Você pode imaginar as águas do Atlático em tempo de calmaria. E nessa imensidão do mar a aproximação de um navio gigante. Com o deslocamento, barcos, barcaças, navios pesqueiros e até baleias e tubarões se deslocam. Necessariamente se deslocam em todo o entorno. Mais do que isso, alguns são atirados centenas de metros.
  Assim é a economia norte-amicana, embora enfraquecida pela crise mudial. Isso mesmo, Wall Street ainda tem essa força de termômetro. O que não se move pelo vácuo acaba sendo induzido e não precisam ser economia periférica. É uma força mágica em que a especulação faz parte do lado sério desse vaivém.
  Aconteceu ontem, por conta de um pronunciamento que acontecerá hoje. O dólar caiu em relação às suas principais moedas rivais, com o aumento das especulações de que o Federal Reserve poderia adotar novas medidas para impulsionar a economia dos EUA. A moeda norte-americana recuou em relação ao euro e a várias outras moedas de alto retorno, mas cedeu apenas levemente ante o iene, com as autoridades japonesas elevando o tom dos discursos contra a recente valorização da moeda do país. Os investidores (também os exportadores e importadores) devem observar atentamente o discurso do presidente do Fed, Ben Bernanke, em um encontro de bancos centrais. Não se trata de uma análise de Alan Greenspan, ex-presidente do Fed e guru do mundo financeiro. Mas quem fala é presidente do Fed.
  Uma série de dados econômicos ruins nos EUA - o navio gigante - sugere um risco maior de que o país esteja entrando em uma crise significativa e aumenta a probabilidade de que o Fed vai considerar novas medidas de afrouxo quantitativo, na análise (eufemista) de Steven Englander, diretor de estratégias do Citigroup. ‘‘Esforços mais diretos para aquecer a economia dos EUA devem gerar uma pressão sobre o dólar’’, acrescentou.
  O recado é claro: ‘‘afrouxo quan-titativo’’ para eles é arrocho cambial para países fornecedores (de qualquer coisa). E ‘‘pressão sobre o dólar’’ é sufoco para moedas de economias emergentes.

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