O MST já não serve para nada
Em 1995, em meio ao consenso nacional de que o recém-iniciado governo Fernando Henrique Cardoso iniciava a melhor quadra da História republicana brasileira, tornou-se unânime nos círculos acadêmicos e intelectuais considerar bonito ou necessário o Movimento Nacional dos Trabalhadores Sem Terra. Como acontece com toda unanimidade, crer naquilo era burrice. É verdade que o MST tensionou a administração pública para que produzisse alguma política de distribuição de terras e melhorasse o padrão dos programas de financiamento agrícola aos pequenos produtores, mas a chancela que legitimou um movimento tão radical quanto o dos sem-terra trouxe, na esteira, a legitimação de suas lideranças. Eles são celerados, fanáticos e não têm o menor respeito com as instituições sejam elas o próprio Estado ou partidos políticos como o PT, que podem chegar ao poder democraticamente e implementar algumas de suas reivindicações.
João Pedro Stedile, Gilmar Mauro e José Rainha Jr., trinca que forma o politburo do movimento dos sem-terra, são tão díspares quanto a aliança partidária que sempre deu apoio ao atual presidente da República. Intelectual e enólogo que jamais deu um dia de expediente numa casa de farinha ou cortou um dobrado em roçados, Stedile é o dínamo ideológico do MST. Radicaliza seus pupilos e os leva a crer que fazem revoluções quando apenas se igualam a bandidos comuns ao invadir uma propriedade da família presidencial. Para usar uma expressão em voga, Gilmar Mauro é a correia de transmissão do que pensa Stedile para o que deve executar a patuléia. Rainha, por fim, dono de um sítio no Pontal do Paranapanema doado pelo governador Mario Covas em 1998 e de uma casa erguida pelo governo de São Paulo, personifica a face romântica dos sem-terra. Seria o pequeno agricultor que chegou lá. Não, não chegou. Pequeno proprietário, evita resignar-se a produzir em suas terras.
Nem sempre inocentes, e certamente inúteis até para si próprios , os integrantes da turba que violou a propriedade do presidente Fernando Henrique Cardoso não contribuíram com uma única idéia para o debate sobre as desigualdades sociais brasileiras. Apenas chocaram. De quebra, avalizaram seus críticos e semearam intrigas contra o presidenciável cujas aspirações mais se assemelham às deles. Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, foi quem mais perdeu na encenação de radicalismo vivenciada na fazenda Córrego da Ponte. E perdeu porque não soube vencer. Se soubesse, teria ordenado que o seu PT estrangulasse o radicalismo do MST há anos. Não o fez. Errou.
LUÍS COSTA PINTO é jornalista em Brasília





