A demagogia, aliada à permanente ação paramilitar, transformou o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra em uma entidade que não consegue mais dissimular seus propósitos. Quem encontrou na reforma agrária o discurso que iludiu milhares de pessoas humildes, hoje prega abertamente a mudança de regime em nosso País. Não servem mais a terra, o crédito e o apoio governamental. É preciso ir além, subvertendo a ordem a impondo à sociedade um sistema arcaico, de resto abandonado pela sua falência prática.
Não bastasse a arrogância de quem pretende criar ‘‘territórios’’ acima da lei nacional, ainda temos o vandalismo como forma de intimidação: o desmatamento de áreas de preservação, o desmanche de implementos agrícolas e o roubo de gado são constantemente denunciados pela imprensa.
Será essa a reforma agrária pretendida pelo povo brasileiro? Certamente, não.
Ao ultrapassar a linha que o separa de um movimento de reivindicação social e transformar-se em uma milícia cujo objetivo é consolidar-se nos grandes centros urbanos, o MST perde credibilidade, cria insegurança entre proprietários rurais e urbanos e, paradoxalmente, transforma-se em um entrave para o avanço da reforma agrária.
O diálogo e a negociação, sempre presentes nas ações do governo, não encontram guarida em um movimento que se vangloria de ter ‘‘recuperado o argumento de que a reforma agrária somente avançaria com a luta de massa (sic), com mobilizações massivas, com ocupações, com a luta direta, com ação das massas’’. (‘‘Cartilha de Ação do MST’’).
O governo não vai se deixar levar pelo discurso da provocação e chegar ao confronto que só interessa a uma minoria radical e barulhenta. A incitação à violência é uma atitude irresponsável, que pode redundar num lamentável derramamento de sangue, e deve ser imediatamente abandonada.
A sociedade, organizada em poderes legitimamente constituídos, apóia a reforma agrária. Sua concretização, contudo, não pode afrontar a lei. O respeito aos preceitos constitucionais, a obediência ao desejo da maioria e a ação civilizada e ordeira são valores que não podem ser desprezados.
A democracia e a lei não estão a serviço de alguns; a manutenção de uma e o respeito à outra são fruto da determinação de um povo que preza a ordem constitucional; e devem ser resguardadas por todos os que valorizam a liberdade.
O MST não pode ser uma exceção, sob pena de entrar para a história pelo caminho obscuro dos que se julgam acima do bem e do mal.

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