O MST e a ciência policial
Aurem August Schvabenland
De um lado, lavradores, aço e ferro. Do outro, militares, borracha e gás. Enquanto o MST transforma mãos cheias de calos em mãos cheias de sangue, o governo insiste em fazer política com as coisas da Polícia Judiciária, de modo que tudo o mais se confunde. À luz da ciência policial, ferramenta agrícola fora da área de cultivo transforma-se em arma branca de grande poder cortante e sua ostensividade obviamente gerará a configuração da legítima defesa, putativa ou consumada. Na mais primária tática de guerrilha, o conceito básico que encontramos quando num conflito generalizado é o de que, no embate, ocorrerão baixas de ambos os lados.
Ora, então por que o MST não muda de tática, abolindo a ostentação de foices, facões, enxadas, ancinhos, o escambau, das passeatas? Poderiam eles, na falta de novos símbolos de luta pela reforma agrária, confeccionar um andor e nele acondicionar uma imagem sacra, quiçá a de Nossa Senhora do Rocio, que tem tudo a ver com a roça, ‘‘talecoisa e coisaetal’’.
Mas o que irrita, na verdade, é a tática imposta aos militares em cercear o ir e vir. Tal direito é magno e cerceá-lo significa afrontar a Constituição Federal. À luz da ciência policial, é possível manter a lei e a ordem preservando-se os direitos individuais e coletivos da anarquia e da balbúrdia. Eis aqui algumas regrinhas básicas para o exercício de tal fiscalização: A) Barreiras condicionadas a quem por ali transitar; B) Abordagem de veículos, checagem de documentos, revistas-em-regra pessoais e patrimoniais; C) Apreensão de armas de fogo irregulares; D) Apreensão de armas brancas (epa!) irregulares. Com efeito, outras regrinhas se estendem distanciando a Dona Morte do uso de sua também agrícola foice...
No caso do MST, após os conformes acima, que se seguisse a passeata. Afinal, já estariam doutrinados e ‘‘desarmados’’. Em Curitiba, que usufruíssem dos prédios públicos. Se são públicos, o termo ‘‘invadir’’ é néscio. O mais inteligente seria a segurança tornar-se operacional ao primeiro ato de vandalismo: o infeliz do lavrador seria preso por depredação de patrimônio! Tudo tão simples. Tudo tão complexo. Haja paciência.
- AUREN AUGUST SCHVABENLAND é detetive da Delegacia de Homicídios em Curitiba

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