O movimento do dólar, sem euforia
O Brasil sempre manteve uma política cambial ancorada na trajetória do dólar norte-americano, lastreada no nada e a mercê da especulação. O grande fator de reservas, entrada da moeda, as exportações, navegaram ao sabor desses movimentos, quando deveria ser o contrário. O tom da receita teria que ser a riqueza das exportações de commodities em geral, manufaturados e commodities agrícolas, primárias ou as do agronegócio.
É por isso que as flutuações ocorrem no curtíssimo prazo, como agora, submetendo grandes contratos a correções quando não expondo-os a riscos de uma moeada instável, quando não é exatamente isso que está no bojo da crise econômica.
Sem sutilezas que a linguagem financeira comporta, e em dia de trégua da queda do dólar, como ontem, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, muda o tom do discurso sobre o rumo da moeda americana. Muda e faz um alerta sobre um eventual otimismo exacerbado e as apostas do mercado em uma tendência para o comportamento do dólar.
Meirelles falou (reportagem da Agência Estado) de movimentos súbitos do mercado e lembrou que, no passado recente, algumas empresas perderam bilhões com a alta inesperada do dólar. Temos alertado já há bastante tempo contra o excesso de euforia, contra o excesso de movimento de precificação de ativos e de riscos.
Um dos riscos citados pelo presidente do BC - e relatado por Fernando Nakagawa e Fabio Graner - foi a movimentação súbita da cotação do dólar e dos eventuais prejuízos gerados por uma variação repentina da moeda. Meirelles até reconhece a natureza do mercado de tentar se antecipar e se posicionar em relação a determinado ativo ou risco. Não há dúvida que o mercado procura se antecipar e, quando começa a se formar um consenso, começa a se mover com grande velocidade.
Mas foram os prejuízos bilionários no mercado de dólar futuro, com os chamados derivativos, os principais argumentos usados pelo presidente do BC para sinalizar que o rumo dos negócios pode mudar de uma hora para a outra. Participantes do mercado e empresas já tiveram, no passado, prejuízos importantes por excesso de euforia, por apostarem em uma tendência de uma forma exagerada.





